quinta-feira, maio 29, 2008

IV - UM NOVO TEMPO... APESAR DOS PESARES...

Na manhã do último dia em Fortaleza, nos reunimos para a Ceia do Senhor.

A Mesa estava típica, regionalizada, cearense, muito linda! Pois o pão não foi pão, foi tapioca. Como efeito decorativo, estava toda ornada com folhas e com o cocos, com frutos e frutas regionais, um sol gostoso e muito carinho entre todos.

Aquilo tudo me reportou para a atualização necessária no dia a dia da Caminhada e para a contextualização da jornada do Movimento, de sua trajetória comunitária, de sua revelância histórica e de sua Missão - temas que nortearam as Mensagens do Caio durante esses dias.

Sim, quem caminha sempre vê novas paisagens. Quem caminha, encara climas diferentes e estações em revezamento. Quem caminha, percebe a mudança de cenários. Quem caminha, anda. Vai adiante. Segue em frente. Sem olhar para trás. Mãos postas no arado. Pés que, inevitavelmente se sujam no percurso, contudo, a cabeça está sempre antecipadamente lavada pela Palavra! E caminhando assim, "se FAZ o Caminho!"

Contudo, conforme explicitado naquela manhã de Ceia (uma síntese das coisas já ditas) muitos de nós ainda estamos em velório, num sepultamento interminável. Enterramos os mortos o tempo inteiro, mas nunca lhes dando por ENTERRADOS!

Aí a Missão fica esperando. Fica esperando a gente parar de chorar o passado que tivemos, o procedimento no cristianismo, o zelo com tudo, a energia demandada, a prodigalidade com que sempre nos dedicamos à "igreja".

- "Vem e segue-me!"
- "Senhor, espera primeiro acabar essa cerimônia toda, estou preso aqui, chorando tudo que eu perdi para ganhar a Cristo!"

Isso vicia. Essa coisa toda de ficar remoendo a "igreja" vicia. A pessoa acaba pensando que o "Caminho" é isso: Viver em resposta a algo ou alguém! A mente fica presa em considerações infindáveis acerca do que passou, de como foi "saído" de onde estava, de como foi ferido, injustiçado, mal-compreendido. E fica aquele agasalhamento eterno, a glorificação do próprio martírio, como se martirizado tivesse sido. Temo que se alguém não tiver uma história de ruptura dramática com a "instituição" para contar como currículo, acabe por se sentir envergonhado diante da exaltação dos sofrimentos que os demais foram submetidos, quando julgados pelo "Sinédrio". Ora, feliz de quem vem sem cortar laços e sem marginalização; mais feliz ainda de quem vem sem o ingênuo pensamento de que saindo da coisa toda, ela - a coisa - automaticamente sai de você. Sim, porque ninguém foi tão vítima assim. Todo mundo que apanhou, também bateu! E, se como um pastor da Lei, você não matou ninguém, ao menos, sabe que deixou morrer...

Esse é o apelo, então: É tempo de deixar para trás o que ficou para trás, permitir que as velas se apaguem sozinhas e que os mortos sepultem seus próprios mortos, bastando a cada um de nós que simplesmente se SIGA adiante com Ele.

Há uma nova geração a ser alcançada: A Geração do Tempo do Fim. E se o "Caminho da Graça" só servir para desconstruir antigos alicerces de fundamentação religiosa, que sem graça será esse Caminho. A Geração do Fim demanda outros aplicativos... Tem outros requerimentos! São jovens. Não conhecem nossas canções. Estão fora do circuito religioso. Estão em Antioquia. São amigos de Cornélio. Cornélio está por aí... sem pertencer a nada que se proclame de Deus, e doido de vontade de se encontrar com Ele!

A Geração do Tempo do Fim está para além da nossa arena. Nossa luta não é contra carne ou sangue, mas contra o espírito do curso desse mundo apocalíptico, fragmentado apesar de globalizado; gélico e insensibilizado apesar do estado de ebulição ecológico; suicida apesar de cercado de bem estar; ignorante apesar de tanta informação; solitário apesar de uma incrível e crescente multidão.

Esse é o nosso mundo... "Quem tem mais do que devia ter, quase sempre se convence que não tem o bastante!" Nossa luta é contra Mamon, reinante no trono das ambições que nos enriquecem enquanto destrói terra, mar e ar! De fato, esses são dias desleais.

Essa geração tem a alma perdida depois de ter ganho o mundo inteiro. Tem toda ciência, tem dono o saber, tem todo o controle, mas lhes falta ALMA. A depressão é o mal desse século e só vai aumentar. Essa é a geração do Tempo do Fim. E há um Evangelho para o tempo do fim. E esse Evangelho será pregado em todo mundo, e então virá o FIM.

Agora veja: Se nossas proposituras caminhantes forem só respostinhas tolas às tolices de nossos "pais" e seu fútil legado, então, meus irmãos, será de futilidades que viveremos enquanto assistimos o mundo acabar! Daí, seremos como a "igreja", que existe para cuidar de sua própria existência e perpetuação bem sucedida nesse chão! Daí que, se for assim, "ainda somos os mesmos e vivemos como os nossos pais... "

Assim como aquela Ceia em Fortaleza, toda contextualizada com o presente momento, o Caminho só se faz no tempo presente! E só se faz para frente! O "caminhante" não é um maratonista e nem um super-corredor anabolizado. Não. O "caminhante" é um paralítico que foi curado, mas carrega a maca que o mantém cônscio de que ele só caminha porque encontrou-se com Jesus no Caminho. E um filho da Graça e da Compaixão de Jesus! É lógico que haverá tensões com a turba religiosa sempre! Porque, afinal, não se carrega a maca em dia de Sábado! Contudo, as tensões não são bilaterais. São uni-direcionadas. A gente "finge" que não viu, "finge" que não é com a gente e toca pra frente!

Aqui em Santos, um dia desses recebi um recado do presidente do Conselho de Pastores da Baixada Santista: "Avise o Marcelo que vou aparecer por lá de SURPRESA!" Tadinho, ele vem me pegar. Vem defender Deus! Vem me impor resistência bem na hora em que eu estiver talvez sacrificando uma criancinha ou, quem sabe, chutando um velhinho durante uma reunião do Caminho! Sim, é assim que ele pensa que é. Ele vai chegar metendo o pé na porta e vai sair com os pés lavados! E só.

Hora de seguir adiante. Sem choro nem vela. Os mortos enterram a si próprios! Os vivos levantam e andam! Nossa autoridade não é da irreprensibilidade; e a autoridade de quem foi perdoado: "Levanta, toma o teu leito e anda!"

Acabou o "Caminho" como mensagem-resposta! A Mensagem é uma Proposta! Digo isso, porque receio que alguns de nós não conheçam a Mensagem senão somente em resposta à religião. Temo que, ao terminar os embates, a gente não tenha o que dizer!
As produções da reatividade são legítimas e necessárias sim! (vide Paulo). Contudo, a reação é uma fase, uma ocorrência, uma necessidade imediata, circunstancializada e correspondente. A reação é boa, carrega princípios em seu bojo; é sinal de vida e não de amargura. A não ser que a vida se resuma ás reações! Aí, endurecemos e perdemos a ternura!

As reações são tão legítimas quando as ações. Mas "uma coisa é uma coisa, e outra coisa é outra coisa"!

Olha em Paulo como a reação produz para a Vida! Perceba Gálatas! "Quem vos seduziu?" Quem foram os "cães, falsos apóstolos, obreiros fraudulentos?", "Quem dera se castrassem os que vos incitam à 'justiça própria', à confiança em si mesmos, na carne!"... "Quem dera se mutilassem!" Sinta o espírito das cartas pastorais! É só reação! Veja a reação às proposituras coríntias: "Quanto ao que me escrevestes...", "... me foi comunicado pelos da casa de Cloé...", "Antes de tudo ouço que quando vos reunis...". "Ora, no tocante a..."; "Geralmente se ouve que há entre vós..."; "Fui insensato em gloriar-me, mas vós me contrangestes."...

A resposta é parte da proposta, não é a proposta em si.

A proposta é Romanos, a proposta é Efésios! A proposta está embutida em cada parábola, em cada encontro de Jesus nas narrativas dos evangelhos.

A proposta é pró-ativa, não é reativa!

A proposta é antes da fundação do mundo! A proposta diz respeito a toda alma, em todo e qualquer contexto, sobre qualquer tempo ou geração. É para todas as gerações! A proposta é para Hoje! Hoje é dia de salvação.

Sei que nem todos entenderão. Mas quem tem ouvidos para ouvir, ouça a Voz: "Vêm!"


***

Naquela manhã, o Fonseca cantou "Caminhando e cantando...Vem, vamos embora... Pelos campos há fome... Em grandes plantações. Os amores na mente. As flores no chão. A certeza na frente. A história na mão...Aprendendo e ensinando uma nova lição."

Ceiamos e fomos embora. De volta para casa.


Marcelo Quintela

sábado, maio 24, 2008

AS PRODUÇÕES DO CAMINHO DA GRAÇA

"Não é para viver de adventos fenomenológicos,
Mas do pão nosso de cada dia!"

Produzir: 1. Dar nascimento ou origem a; criar. 2. Fazer aparecer, originar. 3. Apresentar, exibir. 4. Causar. 5. Render. 6. Fabricar. 7. Ser fértil
(o bom e velho AURÉLIO).


O "Caminho da Graça" é um testemunho. Há muitos outros. Muitos. Todos procurando um "lugar ao sol" onde possam se fazer ouvir. Daí surgem as produções, as nominações e as tipificações de cada um, de cada grupo.

Em primeiro lugar, deve-se lembrar que o Caminho da Graça que a gente pode PRODUZIR não vale tanto a pena. Quero dizer, não valerá a pena transforma-se numa agência de eventos com uma agenda de atividades como "produção".

O Caminho da Graça que vale a pena é aquele que PRODUZ em nós! Que produz em nós para a Vida. É o caminho da internalização da Graça de Deus em nós, é o caminho do Entendimento Espiritual da incondicionalidade do Amor e do Perdão do Pai. E essa produção continua subjetiva, existencial, relacional, num fluxo de exposição que vaza de dentro para fora do ser, e nunca o contrário.

O melhor Caminho da Graça é aquele que chama de produção, serviço, mobilização e estruturação tudo que se pode realizar na realidade do cotidiano e não nas encenações do nosso ritual comunitário de amor-com-hora-marcada. Nas relações extra-templos, sem agenda pré-definida, mas segundo o próprio curso da vida em suas idas e vindas, e em seu cruzamento com toda gente na secularidade é que se faz o Caminho, é que se produz e se realiza.

O "Caminho" não será uma "igreja de programas", nem nada parecido com isso. O "Caminho" não existe a partir de seus Encontros, o "Caminho" existe, e ocasionalmente, desemboca esse existir num Encontro, numa Estação, numa caminhada organizada, numa co-existência mais programática, pragmática, precisa, etc.

E por que esse tema agora?

Ora, porque à medida que a gama de missões externas vai se ampliando a partir de nós e nossas iniciativas como grupo, diminuem, na mesma proporção, as missões internas, o cuidado devocional com a alma em relação a Deus e a solitude necessária como produtiva disciplina espiritual. E não demora, então, para estarmos vivendo a ansiedade da manutenção de tudo, da oferta de incessantes eventos especiais, e carregando no enganado coração carregado a sensação de estarmos fazendo a "obra de Deus", quando só estamos promovendo nosso emblema e patrocinando nossos próprios entretenimentos.

Tudo isso advém do legado das práticas da insegurança que precisavam provideenciar que todo mundo estivesse ocupado com a agenda interna, vivendo num clima de gincana infinita, a fim de manter a coisa viva e as pessoas na "pilha" o tempo inteiro, para que elas se sentissem parte do espetáculo e fossem absorvidas pelas tensões e tesões do gueto, num anestesiante comportamento de fuga da vida.

Tudo isso me lembra muito os "avivamentos de retiro". Sim, falo daquela euforia espirituóide que acaba antes das malas estarem desfeitas. Estou falando daquela elevação de espírito pós-acampamento que dura até que a segunda-feira mostre suas garras!

Como se preservar das "fórmulas" de crescimento? Como ser operacional sem deixar de ser relacional? Como se guardar desse in-fluxo, enquanto estamos crescendo como Movimento de Consciência e Relacionamento, com cuidados pastorais?

Alguns conselhos que foram expostos em Fortaleza, e aqui condensados, são esses:

1) Não ser impressionável: Não é o tamanho do grupo, mas o significado do Encontro que vale. No dia que começarmos a nos preocupar com idolatrias numéricas, estatísticas e censos, atividades e ênfases que geram espírito de competição e não de fé; nesse dia, creiam, começamos a falir.

2) Não perder o espírito hebreu, caminhante, peregrino e forasteiro, que caminha sem a prerrogativa de controlar NADA, numa impotência maravilhosa e bem-vinda, que gera dependência de Deus e a manifestação do Seu poder.

3) Não se deixar pervair de um espírito acadêmico. Quase sempre a comunidade que cresce, fica besta, fica cult, auto-centrada, cerebral demais e cada vez menos crente na possibilidade dos impossíveis dos homens serem possíveis para Deus. De repente, já não se crê mais em milagres e em intervenções de Deus. Então, é necessário manter viva a expectativa da Graça Viva... Gente que diz que crê na ressurreição de Jesus, crê em tudo o mais! Deus está livre hoje para fazer o que desejar! É preciso, portanto, ousadia no Espírito Santo para orar sem temer o ridículo! Cada um de nós tem a liberdade para orar, crer e esperar, e animar a fé dos irmãos, tendo a cura como consolação ou a consolação como cura!

5) Apascentar o rebanho de Deus que está entre nós com cuidado, não por obrigação ou ofício, mas voluntariamente, por amor, evitando o pastoreio do constrangimento, da coação, da amargura por ser forçado, remunerado! E ainda, não motivado por ambição ou ganância, mas de toda boa vontade; não como dominadores dos que nos foram confiados, mas servindo de modelo ao rebanho.

5.1.) Quem quiser conduzir gente do Caminho e no Caminho, deve-se lembrar sempre dos sofrimentos de Cristo Jesus, que quando caluniado não caluniava, e quando injuriado, calava-se! Deve-se lembrar que é normal ser traído e ser deixado, e ser negado, e ser usado. Deve abrir mão de melindramentos, de direitos, de bem-estar, de reconhecimentos, de processos públicos de vitimização de si próprio, não tendo em si mesmo a medida de tudo e nem sendo o limite de coisa alguma.

5.2.) Quem quiser conduzir gente do Caminho e no Caminho, deve estar consciente da Esperança da Glória e viver sobre esses dois pilares propostos por Pedro: sofrimento e glória. Como é com o Mestre assim será com os Seus discípulos, sempre. A coroa da Glória ofertada pelo Supremo Pastor não é para esse tempo e nem para esse mundo. A Glória é do Porvir. E "entre nós, não será assim", conforme o curso desse mundo, segundo a ética dos que governam os sistemas sobre a Terra, que lideram para serem servidos. "Entre nós, o maior seja o que mais serve". Reconhecimento e Glória estão adiados até o Tempo oportuno, quando o tempo não mais existir! Pedro a designou "coroa imarscecível". Ora, vem Senhor Jesus!

***

Assim, ninguém se envolverá de novo com as "coisas de Deus" em detrimento do "Deus de todas as coisas", nas funcionalidades que só servem para manutenção de seu próprio circo, em estratagemas que só se operam para "tocar o barco", com calendários de eventos anuais fixos e pré-determinados, sem sua correspondente demanda e senso de ocasião.

Antes do ativismo, há de se descansar aos pés do Mestre. Essa é a melhor parte. E por tentação nenhuma de crescimento institucional, ela nos será tirada; pois pouco é necessário nessa Jornada! Louvado seja o nome do Senhor!

Nesse sentido, toda hora alguém me pergunta: Quando vai ser o Encontro do ano que vem? Onde será o próximo evento nacional do Caminho? Irmãos amados, o encontro não é um evento do calendário anual litúrgico do Caminho da Graça. Os Encontros são organizados em função da pertinência e da necessidade. Sua geografia não é fixa e a escolha da região obedece critérios circunstanciais importantes para determinado momento. (E o nome é Encontro sei lá eu por que! Podia ser confraternização, retiro, conferência, reunião, etc. Talvez seja "Encontro" só porque é um encontro mesmo, assim como o diácono na igreja primitiva era chamado diakonos só porque ele era mesmo aquele que serve, o garçom!) O que importa é que os Encontros correspondem ao apelo de centenas de amigos distantes e unidos pela virtualidade que em dias como esses de Fortaleza podem então se abraçar, orar juntos, congregar-se, compartilhar, comungar em unidade de fé, ouvir, aprender e ensinar...

Ah! E dançar!

Assim, não produza nada no Caminho que não seja produção do Caminho em você!

É um conselho e um desafio.


Marcelo Quintela
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O Caminho é uma pessoa e seu nome é Jesus!
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quarta-feira, maio 21, 2008

DO CAMINHO DA GRAÇA E SEUS "INIMIGOS" - A Síndrome de Jonas

Gente querida, pretendo sintetizar, conforme meu próprio entendimento e lembrança de tudo, as ênfases levantadas no Encontro Nacional do Caminho da Graça em Fortaleza (CE) - 2008:

I - Do Caminho da Graça e seus "inimigos" - A Síndrome de Jonas
II - Do Caminho da Graça e seus "amigos" - Do Salmo 137 ao 133: Um difícil caminho!
III - O que de melhor o Caminho pode produzir?
IV - Um novo tempo, apesar dos pesares...

Convido-os à reflexão e aos acréscimos necessários.

Abaixo, o primeiro deles.


DO CAMINHO DA GRAÇA E SEUS "INIMIGOS" - A Síndrome de Jonas


Passados esses três anos iniciais - onde o Caminho da Graça se estabeleceu como um "testemunho", um pólo divulgador do Evangelho, um foco de disseminação da Mensagem a partir do site, dos materiais de mídia e literatura, e por meio das suas Estações, núcleos comunitários terapêuticos de ensino e estímulo à convivência fraterna e à troca de dons - hoje novos contextos surgem em resposta ao Movimento.

À medida que a Mensagem apregoada tem se expandido e encontrado eco para todo lado, tanto rendições sinceras a ela como fortes oposições têm ocorrido nos últimos tempos. E a maioria das acusações e beligerâncias antes direcionadas mais especialmente para a pessoa e o ministério de Caio Fábio, hoje, por outra lado, crescem na direção de todo o "Caminho da Graça", agora que, tendo partido de um portal virtual, Deus providenciou um Caminho real e historicamente visível.

Daí, então, que do Caminho da Graça se ouvem e se ouvirão cada vez mais muitas histórias e estórias (a maioria delas coisas que nem nós sabíamos, aliás!). A leviandade com que tudo é dito e articulado tem a óbvia intenção de calar os mensageiros e silenciar a Mensagem, que provoca o status operandi da cultura cristã estabelecida, bastando para fazê-lo que simplesmente se pregue o Evangelho conforme Ele é!

Bom, toda essa conjuntura ora apresentada, pode perverter o espírito da caminhada, pois tal caminhada não implica de modo algum em gastar-se na dinâmica do revide e da refutação, e nem em formas de proteção à reputação. Daí a necessidade de muito cuidado com o coração, pois ninguém fará mal ao Caminho da Graça a não ser nós mesmos, se formos tomados pela Síndrome de Jonas, o profeta.

Senão, vejam:

Posições ideológicas, embates constantes, melindres diante de acusações e tolices, inimizades em acentuamento, beligerâncias abertas, antipatias crônicas, traumas histórico-institucionais, memórias de amargura nas relações fraternas de outrora podem nos levar para um caminho contrário ao Chamado, em rota de colisão com o Amor de Deus!

De fato, o "Caminho" quer que a "igreja" experimente arrependimento de sua opulência ninivita, de seu triunfalismo assírio, da ufania de suas riquezas, da opressão que seu domínio exerce sobre mentes conquistadas e do seu pendor para o "imperialismo" institucionalizado.

Mas se seu irmãozinho evangélico se tornar uma espécie de ninivita para você, o Evangelho não foi construído em você e suas defesas denominacionais são maiores que seu Chamado a apregoar à Boa Nova do Reino a todos e em todos os lugares, já que pela Cruz, Ele derrubou os muros de separação, e de todos os povos, fez um!

Sendo mais claro: Se você deseja que a "igreja" se dê mal e "quebre a cara" só para a tua profecia se cumprir, só para você não ser desmentido e seus vaticínios se concretizarem, então, meu caro Jonas-Caminhante, você se encontrará com a força do amor de Deus na direção dos teus "inimigos" e contra você, e as algas se enrolaram em tua cabeça!

E tem mais: Nínive pode ser restaurada e convertida (por essa você não esperava, né?). Entretanto, se os "ninivitas" (qualquer um que, existencialmente, ocupe esse predicado para você) precisarem ser como você para serem de Deus, se eles tiverem que se tornar em "judeus" como você, freqüentarem a sinagoga com você, renegarem sua origem e migrarem para a geografia da tua própria espiritualidade e, enfim, adorar a Deus conforme você, então saiba: Deus converte ninivitas e os mantém em Nínive, sem aculturamentos e sem rendições à Jerusalém! Deus tem misericórdia de ninivitas e você está propenso a só se preocupar com a erva e com a larvinha que a consome, em mediocridade ideológica! Pense a respeito e pare com isso!

Só o que pode impedir de isso aqui virar aquilo que nós odiamos é nossa disposição interior de se questionar sempre e responder com amor, perdão, misericórdia e graça, servindo a todo homem em Cristo.


À Missão!


Marcelo Quintela

www.caminhoemsantos.blogspot.com
Comentário de Ivo Fernandes
Querido Marcelo,
Que maravilha relembrar isso, trazer a mente de novo esta Palavra. Esses dias orei muito para que o Senhor conservasse meu coração livre das raízes de amargura, dos sentimentos auto-justificados de vingança, ou de qualquer desejo que fosse contra quem quer que seja.
Desejo de verdade para mim e para o Caminho da Graça uma caminhada semelhante a do nosso Mestre. Que nosso corações e mentes estejam voltados para o Mistério, envolvidos na Graça, cheios do Amor. Que jamais nos tornemos gente da palavra humana que bem articula coisas sobre Deus, mas que sejamos realmente Filhos da Palavra da Vida.
Agradeço a Deus por toda exortação que nos edifica para a Vida.
Que assim seja o nosso caminhar!
Em Cristo que derrubou os muros de separação

quarta-feira, maio 07, 2008

Aos que por estas terras pisaram



Meu coração está cheio de uma imensa alegria. Lágrimas são derramadas e um sentimento de não merecimento de tantas coisas boas que nesses dias aconteceram me salta do coração. A Deus dirijo poucas palavras, só consigo dizer obrigado. Obrigado Pai por tão grande Graça. Obrigado pela pessoa do pastor Caio Fábio e de toda a sua família. Obrigado porque me conduziste a viver estes dias. Jamais sonhei, e hoje creio que aquilo que o Senhor tem para nós é melhor do que nossos melhores sonhos. Obrigado por este Caminho, realmente não tenho outro caminho a fazer. Obrigado por cada irmão que em se permitindo por ti serem usados edifica em tudo minha vida. Obrigado por cada mentor-pastor que nessa caminhada são verdadeiros irmãos e amigos chegados. Obrigado pela estação em que encontro pouso e por cada irmão-filho-amigo que nela servem.

Nesses dias de Encontro pude sentir o Espírito de Deus em tudo! Desde o serviço de meus irmãos da Estação Fortaleza - jamais poderia pagá-los, mas meu amor é sincero e dedicado a cada um deles, até o serviço dos amados de outras estações que em tudo se mostraram disponíveis.

Muitas coisas me vêm à mente enquanto escrevo. São lembranças das mensagens profundas que me tocaram a alma, lembranças das conversas boas, sérias, divertidas, bobas, mas sempre cheias de vida que com muitos tive. Lembranças da chegada, dos abraços, da refeição comum, dos passeios encantadores, da praia de dia, de noite, de madrugada, do sol nascendo. Lembrança de cada novo nome na lista de amigos. Lembrança das boas músicas, das danças, dos sorrisos, das lágrimas, dos olhares. Lembrança das histórias, dos sonhos partilhados, das gargalhadas. Lembrança da ceia e da comunhão dos irmãos. Lembrança das despedidas.

Estou de novo aqui com minhas lágrimas, cheio de alegria. Minha fé foi renovada. Meu espírito arrebatado. Minha alma rejuvenescida. Minha vocação confirmada. Minha esperança fortificada. Minha vida engrandecida.

Gostaria de citar tantos nomes, mas acho que cansaria quem fosse lê. Assim apenas oro para que ninguém que por estas terras pisaram esqueçam que sempre terão uma estação onde podem parar para refazer suas forças neste Caminho.

Obrigado a todos,

De vosso servo em Fortaleza
Ivo Fernandes

terça-feira, maio 06, 2008

NOSSOS ENCONTROS NO ENCONTRO DAS ESTAÇÕES EM FORTALEZA

CAMINHO DOS ENCONTROS E DOS ENCANTOS EM FORTALEZA
POR CARLOS BREGANTIM

Sinto-me participante de um momento histórico no que se refere à Fé Cristã que abracei desde a minha infância. Sempre cri que a Fé Cristã é a fé que toca nas pessoas, até as que já estavam sepultadas, e estas, ressuscitaram, voltaram a vida e foram convidadas à mesa dos vivos. Sempre cri que quando oro, oro sempre junto com o outro, pois, O PAI, É NOSSO, não meu. Que a mesa do pão tem que ter mais gente, pois O PÃO, É NOSSO, não apenas meu. Sempre cri que no ENCONTRO dos irmãos há plenitude dos dons, dos carismas, e portanto, de curas. Bem, em Fortaleza, mais uma vez testemunhei isto tudo que creio. No encontro e nos encontros dos caminhantes vindos de mais de 10 estados do Brasil, testemunhei o quanto a Fé Cristã é terapêutica, pois, curou a muitos e tocou em todos. Contemplei ao longo dos dias que ali ficamos juntos os encontros, os abraços, os beijos, os olhares, as risadas, os choros e as conversas sobre todos os assuntos possíveis, mas, o saldo de tudo, foi o RE-ENCANTO de muitos para continuar na caminhada na fé. O ENCANTO de outros tantos que haviam perdido o gosto, os sabores do viver comunitário. Alguns desencantados com tudo saíram dali com um mínimo de esperança de que é possível reascender a pequenina chama da Fé Cristã e a partir daí produzir vida suficiente para tocar em si mesmos e em tantos outros que encontrarão pelo caminho. Mais uma vez neste ENCONTRO não foi necessário que houvesse qualquer manipulação para que as pessoas se integrassem umas às outras, pois isto aconteceu com a naturalidade de tudo que acontece no Caminho. Em Fortaleza vimos a materialização de muito do que tem sido ensinado pelos mentores e vivido pelos caminhantes do Brasil todo, isto é, que é possível viver a dinâmica do evangelho em absoluta liberdade e com responsabilidade. Desfrutamos toda liberdade sem, no entanto, termos qualquer problema com leviandade, vulgaridade ou banalização da vida na vida. Sabendo que cada um de nós é TERRENO SAGRADO, nos relacionamos com reverência o tempo todo. Houve espaço de muita alegria e bom humor, mas, houve também muito espaço de escuta, onde muitos puderam derramar seus corações e serem ouvidos em amor. Como sempre, há muita informalidade, mas, ao mesmo tempo seriedade em tudo que se fala e se canta. É impossível destacar uma frase, pois, o todo em tudo, valeu demais. Ao nos despedirmos notamos o quanto nos apegamos uns aos outros, mas, todos sabíamos que voltar para casa e para a vida é absolutamente necessário, pois, é ali que a vida acontece. E isto aconteceu com os corações animados, esperançosos e cheios de expectativas para se materializar nas vidas de outros tantos as alegrias que vivemos juntos ali. Nos despedimos convictos que o evangelho é de fato a boa noticia de Deus aos homens a quem Ele quer bem. Nos despedimos certos que precisamos aprender conviver com um DEUS BOM e não com um Deus irado. Nos despedimos certos que nossa resposta a este Deus bom é o nosso serviço ao outro e a muitos, o tempo todo e todo tempo. Nos despedimos certos que há um culto a ser celebrado na vida todo dia o dia todo e que isto é possível, pois, Ele está sempre conosco em qualquer ligar e em qualquer circunstancia. Obrigado a todos que produziram este encontro que nos encantou outra vez com a beleza do EVANGELHO DA GRAÇA de Jesus de Nazaré. Deus os guarde a todos em amor e paz, pra Ele mesmo, sempre.

Graça, paz & todo bem a todos.

Bjs.
Por Cristina Faraon

Houve uma época...
Na qual Deus não dependia de dos nossos arranjos para que sua unção fosse sentida na congregação.
Houve um tempo no qual nossas lágrimas não precisavam ser "incentivadas" por algum dirigente talentoso.
Lembro quando ninguém sofria carregando o peso de "levar as pessoas a sentirem" a presença de Deus;
Houve uma época na qual os cultos eram cheios de graça e unção independentemente da quantidade ou qualidade dos instrumentos musicais.
Houve uma época, bem me lembro, quando não nos limitávamos a cantar o que os "ministros do louvor" haviam ensaiado. A gente cantava o que nosso coração contrito pedia na hora. Eles só nos acompanhavam... E dava tudo certo!
Houve um tempo quando o Espírito de Deus não dependia da galera da produção para se manifestar. Uma simples oração, um cântico com acompanhamento improvisado, alguém se levantando para orar ou compartilhar algo que fervia em seu coração... Tudo isso edificava, alegrava, sensibilizava.
Houve uma época na qual não existiam cânticos ungidos e os não ungidos, os que "funcionavam" e os que "não funcionavam";Lembra quando músicas lentas não davam sono, mas nos remetiam a um jardim de oração, à paz, a um sentimento de adoração lindo?E os cânticos mais ritmados? Eles não tinham a função de "bombar" o auditório nem eram um sinal para que todos saissem pulando de mãos para cima. Essas músicas apenas nos inspiravam, nos ajudavam a extravasar a alegria que já estava lá dentro de nós mesmo antes de chegarmos ao templo.
Sabe, eu pensava que "aquela época" havia passado para sempre... Mas não! Nesse Encontro em Fortaleza tudo transcorreu com tal naturalidade que ficamos encantados. Todo apelo foi à conscientização, não ao emocionalismo vazio."Eis que faço novas todas as coisas..."O que Deus nos deu em Fortaleza não foi a si mesmo, docemente, um sopro, um afago.Tudo novo... e ao mesmo tempo matando a saudade daquele tempo no qual bastava um coração compungido e contrito para Deus agir.
Em Fortaleza observei que entre nós não havia ninguém preocupado em "criar clima" ou "ajudar Deus a ser Deus". Quem dirigia os cânticos apenas dirigia os cânticos com espírito de adorador e quem cantava, cantava com ele, não por causa dele mas por causa daquele que vive e reina para sempre.
Simples demais, sem efeitos especiais nem gelo sêco... e aquela paz gostosa que excede a todo entendimento... e aquele doce Espírito ali falando, convencendo, convertendo, comovendo...Dá pra ser sempre assim? Dá sim! Os bons tempos voltaram - não "requentados", mas renovados e cheios de graça.
Aleluia!
De Priscila - MG
"Todos sabíamos que voltar para casa e para a vida é absolutamente necessário, pois, é ali que a vida acontece. E isto aconteceu com os corações animados, esperançosos e cheios de expectativas para se materializar nas vidas de outros tantos as alegrias que vivemos juntos ali."

Essas palavras foram escritas pelo Brega no texto que intitulou como " Caminho dos Encontros e dos Encantos em Fortaleza" e acredito que esse foi o sentimento da maioria na despedida do encontro. Voltar para casa significava volta "à vida real", volta ao trabalho, à família, às estações locais, ao cotidiano... Eu, particularmente, já cheguei em ritmo acelerado, trabalhando e estudando em dobro por conta da semana de folga, mas com o coração transbordante de alegria e a mente ecoando em todo o tempo as palavras do Caio, do Brega e do Marcelo... "Esquecer definitivamente o Salmo 137 e voltar-me ao 133"; "sem levar NADA durante a caminhada, estando sempre entre aqueles que crêem e não entre os que dizem para não incomodar o Mestre"; "deixando o que ficou para trás, para que os mortos sepultem os seus próprios mortos."

É impossível calar-me após dias tão belos como aqueles em que estivemos juntos. Preciso falar sobre o amor demonstrado através de servidão e cuidado pelos manos de Fortaleza; sobre a receptividade e grande amor que trouxeram os pernambucanos; sobre a graça e simpatia dos manos de Brasília; sobre o carisma dos vindos de Goiânia, que apesar de não serem goianos (Cris, carioca e Fonseca, mineiro) os souberam representar muito bem; sobre a amizade, já adquirida e dessa vez fortalecida, do amado casal sergipano (Alcides e Lúcia); sobre o bom papo do povo de São Paulo (Brega, Quintela, Tião, Ed, Gilson, Ivaldo); sobre a leveza dos cariocas; sobre o bom humor da Cristina e dos manos de Belém; sobre a alegria dos baianos; sobre a integração dos manos de Campo Grande; sobre a doçura da única, mas especial, representante da Paraíba, Cecília; sobre a abertura dos manos Marcos, Clara e Paulo, importados da Holanda e cheios da graciosidade e amor próprios do Caminho; sobre o lindo testemunho dos manos de Juazeiro; sobre a vontade de estar junto do Gilberto, que foi sozinho de São Luiz; e, como não poderia deixar de ser, falo ainda sobre o grande carinho do qual é cheio o povo da minha terra, as belas Minas Gerais, representadas em Fortaleza por gente de BH, Montes Claros e Uberlândia, todos muito especiais!

Esse povo, de diferentes partes do Brasil, trazendo diferentes sotaques e costumes, com diferentes hábitos e estilos de vida, tem algo mais do que especial em comum: está unido pela Graça, que a eles é dada pelo Pai e que os une através de Jesus, e nada, nada pode ser mais belo do que isso!

O que para alguns, inclusive para mim, parecia impossível há alguns anos, mostrou-se como realidade em Fortaleza, isto é, homens e mulheres unidos em Cristo, servindo-O em liberdade e tendo no amor não fingido sua verdadeira motivação. Há muito tempo não era "tão eu mesma" em meio a pessoas que professam o nome de Jesus! Sinto-me verdadeira e simplesmente feliz!

Termino dizendo que aquilo que o Brega escreveu e transcrevi acima descreve o meu sentimento hoje, 6 dias após o fim do encontro: "corações animados, esperançosos e cheios de expectativas para se materializar nas vidas de outros tantos as alegrias que vivemos juntos ali."

Amor e Saudades!

Paz e Bem!

Priscilla
(Uberlândia - MG)

NOSSOS ENCONTROS NO ENCONTRO DAS ESTAÇÕES EM FORTALEZA

DE HENRIQUE -
ESTAÇÃO BELO HORIZONTE


Amados caminhantes,

Primeiramente, quero agradecer pelas (tão rápidas!) manifestações de amor e alegria pelas últimas notícias em relação ao Tiaguinho. Que coisa linda!

Alcides, mano que tive o privilégio de conhecer neste encontro, obrigado pela disponibilidade abnegada em auxiliar a família em questão. Mande meu abraço à Lúcia, e meu pedido de desculpas pela gafe regional. Misturei "Itabaiana" com BAHIA...kkkk...Os irmãos de BH estão acostumados com minhas "pérolas", principalmente o Luiz, que já possui um acervo "daqueles". Conforme você solicitou, os dados bancários do Márcio são os seguintes:

Márcio de Oliveira Júnior
Banco Itaú
AG: 5636
Conta Corrente: 07161-4

Os telefones são (31) 3353-8628 / 8663-7816 / 9859-7413.

Quero aproveitar a "deixa" para trazer, de forma muito singela, algumas percepções e marcas deixadas em mim no encontro em Fortaleza. Meu único intuito com isto é tão somente manifestar em poucas palavras minha profunda e sincera gratidão por tudo isso que aconteceu.

Estou plenamente cônscio de que toda "listagem" traz em seu bojo, o elemento de seletividade que é, em tese, arbitrário. Não pretendo - e nem poderia fazê-lo - trazer nenhuma lista pormenorizada, "holística" ou esmiuçada de nada. São somente percepções e lembranças frescas, que me vêm, ao mesmo tempo, de forma intensa e doce.

Outrossim não tenho nenhuma pretensão estesiogênica em minhas palavras. Não! Minha intenção não é causar impressões ou sensações em ninguém.

Elas não têm sustentabilidade existencial!

Tampouco se sustentam!

Infeliz é quem anda pelas sensações!

Agradeço ao Pr. Caio Fábio, o qual, conquanto tenha recebido a (justíssima) alcunha de um ´divisor de águas na história da igreja brasileira´, tem sua existência concreta invadido nossas vidas numa entrega profunda, verdadeira e sincera. As águas divididas, no meu caso específico, tem muito mais a ver com o "micro", com as águas do meu interior, separando aquilo que é doce e o que é amargo. Obrigado, pastor!

Agradeço também ao "Pai-stor" Carlos Bregantim (vulgo "Brega" e os novos - e não muito honrosos - epítetos fortalezenses Papai Noel, Gandalf e, segundo o Marcelo Quintela, a gota d'água: Beato Salú).

Entendo perfeitamente e necessidade dos humoristas de caricaturizar pessoas ou, melhor dizendo, características delas. O Fonseca, como lhe é peculiar, descreveu muito bem a "trama humorística". Quero deixar claro que me diverti muito com tudo o que aconteceu. Inclusive brinquei muito com o Cândido pela caracterização de "Bob Esponja".

Todavia, salta aos meus olhos uma outra percepção, que encontra plena correspondência no espírito das escrituras. De forma mais específica, a Palavra nos diz, em Atos dos Apóstolos, acerca de Barnabé. A primeira referência ao cara nos fala de onde era, sua linhagem judaica, sua atitude despojada em relação aos seus bens.

O que me chama a atenção é o fato de que havia algo nele que fez com que os apóstolos o identificassem com o Espírito Santo. Não era uma caracterização física ou estética. Não eram suas indumentárias, seu sotaque, suas preferências e gostos pessoais e aliemntares.

Ele era José, mas, aos olhos de quem o via, não era mais o "Zé". Era o Filho da Consolação, ou como prefiro pensar, do Consolador mesmo.

É gente olhando pra gente e subvertendo as categorias de pensamento e classificação social por algo muito superior, e muito mais profundo.

Algo que tem sustentabilidade existencial, e que permanece.

Digo isso, de forma MUITO simplificada, somente para dizer-lhe, "Brega", que sua 'breguidade" (não é breguice, hein!), me ajuda no caminho ao Caminho, e, assim, me ajuda a tornar-me um ser humano melhor aos que me cercam. Ao meu próximo.

Quando o ouço, as incertezas são, em fé, relativizadas, e absolutiza-se o amor.

Não faço média com ninguém, mas também não quero, em nome do famigerado "o que vão pensar de mim?', ou ainda 'e se acontecer algo na jornada que relativize suas palavras?", deixar de expressar o que vem ao meu coração. Não sei se pode acontecer algo próximo à segunda opção. O que sei é o "dia que se chama Hoje", e o que ele me diz é que o amo, e sou sincera e profundamente grato ao Pai por você.

Ao Marcelo Quintela, cuja "tradução existencial" das Escrituras (NVQ - Nova Versão Quinteliana), expressa nos comentários, no apuradíssimo feelling, percepções tão acuradas e perspicazes, mas que não valeriam de nada se não houvesse, como transborda em cada sílaba proferida por você, o signo emblemático do amor. Isso se dá de forma tão profunda que me estremeço por dentro, e agradeço ao nosso Deus pelo privilégio de termos o seu serviço a nós disponibilizado. Infelizmente não pude abraçá-lo na despedida, pela correria em relação ao meu horário de vôo de volta. Fica meu "abraço virtual", porém carregado de verdade e sinceridade.

De forma muito especial, quero destacar as atitudes e palavras tão doces e profundas ditas pelo Gilson (Estação Santos), irmão muito amado. Sua gratidão por algo que, aos meus olhos, seria injustificado, me emocionam de verdade. Suas percepções transcendem quaisquer expectativas interpretativas sobre o significado do Encontro-Confraternização em BH. Para mim, você fala por revelação espiritual, no sentido mais belo do termo. Revelação de amor. Obrigado por existir, e por ser assim.

Ao casal Ivo e Janaína, não somente pelo que fizeram, mas, principalmente, como fizeram. Suas ações falam por si só. Obrigado mesmo!

Ao Fonseca, pela menção tão carinhosa feita a mim no texto recém enviado, cujo teor me fez literalmente, "viajar". Mais do que as palavras, sua atitude e olhar dirigidos a mim "no apagar das luzes" do encontro me fizeram muito bem ao coração.

Aos meus colegas de quarto David, Marcos e Paulo Roberto, pelas conversas tão bacanas, e tão ricas.

Não posso deixar de mencionar os irmãos de BH, especialmente ao casal Riva e Myriam, tão amigos, que propiciaram que eu pudesse participar deste momento. Também ao Luiz e Solange, por serem quem são. Obrigado mesmo!

Como dito anteriormente, a lista seria infindável, mas paro por aqui.

Um grande e sincero beijo, com brilho nos olhos e uma vontade imensa de servir ao Evangelho, renovada em momentos como esse,

Henrique
Estação Belo Horizonte


Assim foi o encontro, assim é o nosso Caminhar. O Amor é sem sombra de dúvidas a marca das pegadas dos Do Caminho, conforme o Evangelho, conforme a Fé daquele que um dia Caminhou no Caminho mesmo sendo O Caminho e em quem hoje Caminhamos, Ele, Jesus Cristo. O Amor é a essência do Caminho da Graça, pois o Caminho da Graça são os seus Caminhantes e cada Caminhante é portador de um Amor inigualável, indizível, pois pude sentir e compartilhar com muitos o sabor deste amor.
O Encontro me fez ter certeza abosulta-total-definitiva que quero gastar todo o tempo da minha existência no Caminho, pois nele a única lei, é a lei do Amor e amor ao próximo, amor a vida, amor a existência.
Este Amor que tanto falo foi vivido de forma intensa-plena-verdadeira entre todos no encontro, pois no Caminho da Graça temos a coragem de olhar no olho de cada e dizer: “Eu Te Amo”, sem falsidade e hipocrisia nenhuma. Como foi bom abraçar, receber carinho dos manos e manas naquele lugar. Parecia que nos conhecíamos de longas datas, de lado a lado andar, mesmo sem nunca termos nos encontrado pessoalmente, mas nos portávamos como já sendo companheiros de muito tempo, pois portamos, carregamos no coração uma só fé, um só amor, Dele, Jesus Cristo.
Como foi maravilhoso encontrar o Caio Fábio (O Caião), como foi bom abraçá-lo e Declarar: Amo você meu irmão querido; Assim como também falar da importância dele para a minha vida e dizer que é gostoso demais Caminhar no Caminho da Graça e viver o Evangelho de forma intensa, livre, plena e pura; Como é Maravilhoso Amar e ser amado por ele e por todos os Do Caminho. Como foi bom demais sentir seu Carinho, seu abraço verdadeiro, apertado e cheio de amor; Como foi rico e gostoso conversar um pouquinho com ele e ter a convicção que ele é um ser plenamente humano, tão somente gente. Foi bom sentir pessoalmente o que já sentia e cria a respeito dele, ou seja, vê-lo como um-mano, um amigo, como meu querido-amigo-pastor Caião.
Como foi bom olhar nos olhos, abraçar e beijar aquele ser cujo amor de Cristo é nítido, é sentido só em vê-lo, o Ser chamado Henrique (Estação - Belo Horizonte). Meu mano Henrique saiba que você é um cara muito amado por mim e que Jesus Cristo é visto claramente no seu ser e seu amor para com o próximo revela os atos de Cristo.
Como foi bom conhecer o Fonsecão (Antônio Fonseca – Estação de Goiás), como foram ricos e gostosos os momentos em que conversamos, cantamos e nos alegramos em comunhão. Saiba amigo Fonseca que aqui em Fortaleza tem um cara que te ama.
Como foi Maravilhoso conhecer o Brega (Carlos Bregantim – Estação SP) e o Marcelo Quintela (Estação – Santos) e compartilhar com eles momentos de alegria, edificação, experiências, além de aprender muito com as mensagens por eles ministrada.
Como foi bom demais conhecer o pessoal de Brasília: Jack (Grande músico, amigo, um-mano); Adriana (Esposa do Caio); Bruna- Bruninha (Muito atenciosa, gentil, simples e amiga); Adriana Fidélis, Mary e Ana Célia (Amigas muito amorosas); A Malú (Muito gentil e amiga); O Jerry (Cara bacana demais, simples e um big amigo); Enfim todos de Brasília, pois foi bom demais mesmo conhecer e viver dias maravilhosos com vocês.
Como foi bom conhecer, receber em casa e sair para se divertir com o Tião (Estação SP), Gilson e Ivaldo (Estação Santos – SP) e o Deywison (Estação Recife – PE), gente bacana, divertida, amorosos, enfim, grandes manos na Caminhada.
Como foi bom conhecer o Marcos e o Davi (Estação Abreu e Lima – PE); Todos os manos e manas da Bahia, Campo Grande e Minas Gerais; Alexandre e sua Família e todos os demais do Rio de Janeiro; Marcos (Estação na Holanda); O Aser (Um ser místico e muito gente fina, além de muito carinhoso); O Edmilson (Muito gente fina e que nos alegrou bastante cantando a canção: Humano Demais); O Alcides (Estação em Sergipe) e todos que ali estiveram vivendo aqueles momentos inesquecíveis.
Foi bom demais conhecer todos os Do Caminho Brasil e mundo a fora. Quero agradecer do mais profundo do meu coração ao mais intimo da minha alma a presença de todos no Encontro Nacional do Caminho da Graça 2008, ou melhor, no “Encontro do Amor, Dos que se Amam no Caminho” em Fortaleza-Caponga-Cascavél-Ceará.
Quero agradecer também a todos da Estação Fortaleza por termos vivido no Encontro o Amor que já vivemos na Caminhada aqui. Como foi bom estar no Encontro com vocês meus manos e manas tão queridos: Ivo (Meu Amigo-mano-Pai-ajudador-conselheiro-mentor-pastor); Janaina/Esposa do Ivo (Amiga-mana-ajudadora); PC (Amigo-mano-ajudador-Pai); Bárbara/Esposa do PC (Amiga-mana-ajudadora); André Luiz/Andrezão (Meu Queridão) e sua esposa Claudia(Uma Big Amiga); Hugo/Hugão (Mano Querido) e Vanessa/Esposa do Hugo (Amiga-Maninha); Gerfyson, Gilson e Esposa; Cândido (Amigo-mano, cujo amor cresceu mais ainda durante a convivência no encontro) e aos demais que lá estiveram e também a todos que aqui conosco Caminham e que por algum motivo não puderam ir ao Encontro. Amo todos vocês.
Assim foi encontro Nacional das Estações do Caminho da Graça 2008, um encontro do Amor, dos que se amam e que amam o próximo. Um Encontro onde o Evangelho esteve todo momento sendo pregado, vivido e visto na vida de cada um. Um encontro onde não houve nenhum apelo daqueles do tipo-evangélico, mas que pessoas de forma livre, voluntária, espontânea e impactadas pela mensagem do Evangelho de Jesus Cristo fizeram a sua confissão de fé. Como foi o exemplo do Reinaldo (Deus te abençoe e te guarde na Caminhada meu mano); Como também do Mamede (Dono da Pousada onde estávamos) e sua Família, ou seja, Esposa e Filha.
Um Encontro onde um ser tem a liberdade de se achegar e perguntar se poderia ser batizado ali naquele lugar, naquele momento, pois na “igreja” onde ele estava o haviam impedido de se batizar e que ele só de curso para se batizar teria a duração de 3 meses. A Resposta para ele foi SIM, pois o que impede um homem de ser batizado? Só mesmo a Religião e suas Dor-trinas. No Caminho não temos nenhuma barganha a fazer com Religião e nem muito menos semelhanças com qualquer que seja a Religião.
Um Encontro em que muitos descobriram por si só os limites de sua liberdade e auto-analisaram, sem ser preciso do julgamento e o apontar de ninguém.
Um Encontro onde as bebidas e a músicas não foram motivo de escândalo, pois no Caminho quer bebamos, que ouvimos música assim fazemos no Senhor, na presença do Senhor Jesus Cristo. Porque Nele bebida é apenas bebida e que ela seja apreciada de acordo com a consciência de cada um; Nele música é música, não existindo “música de Deus” e “Música do Mundo”, mas apenas Música e pronto. No Caminho não temos em mãos o “interruptor dos céus”, que hora está na luz, outrora no escuro, ou seja, ora acende/luz, outrora apaga/escuridão; No Caminho tudo fazemos na LUZ e na presença Dele que disse: Eu Sou A Luz do Mundo e quem está verdadeiramente em mim não andará/estará em trevas/escuridão jamais.
Um Encontro onde pude rir o chorar, brincar e meditar, aprender e crescer, olhar e não julgar, sentir e expressar, amar e beijar, de forma alguma odiar, abraçar e cheirar, beber e dormir com a consciência em paz, ouvir música e cantar; Na presença de Deus sentir temor e tremor e ao mesmo tempo pular e dançar; De me surpreender com algo e fazer com que minha surpresa não virasse julgamento. Um Encontro onde vivi tudo isso Nele, por Ele e para Ele, Jesus Cristo O Caminho.
Confesso a todos que já estou com muitas saudades de cada momento lá vivido e das pessoas que lá conheci. Portanto quero dizer a todos que é bom amar e ser amado por vocês. Logo peço a todos que o amor seja sempre o que nos move na Caminhada e que no Caminho o nosso olhar seja de contemplação do belo, que em nossa face seja visto o rosto de Cristo; Que o nosso sorrir seja de profunda alegria; Que o nosso abraçar seja de paz e de conforto para todos os que dele (a) precisarem; Que o nosso falar seja para a transformação das nações, pois o que de nossos lábios saír seja Evangelho e amor de Jesus para todos os que o ouvirem; Que o nosso Caminhar seja assim sempre, pois assim sendo muitos dirão como Paulo de uma forma escancarada e convicta: É com os Do Caminho que ando/Creio e sirvo a Jesus Cristo.
Espero maninhos e maninhas manter sempre e sempre contato com vocês. Vocês podem me encontrar sempre no “Coração, Vísceras e Cérebro de Gelson Bessa”, ou seja, o meu Blog: http://www.gelsonbessa.blogspot.com/ , onde poderão encontrar alguns rascunhos/escritos da minha alma e do meu ser. Também por E-mail, MSN e Orkut: gelsonbessa@hotmail.com ou ainda me ligando: (85) 8755 8756, enfim, só não deixem de entrar em contato assim que puderem com este mano que tanto ama todos vocês.
Um abração, Um Cheirão e Bjão para todos.
Do Mano,
Gelson Bessa:.
Fortaleza – Ceará – Brasil.

OS ENCONTROS NO ENCONTRO DAS ESTAÇÕES EM FORTALEZA

DE FONSECA -
ESTAÇÃO GOIÂNIA

Fortaleza para mim foi “O Encontro”. Todos os outros encontros que eu participei foram, para mim, desencontros.

Eu estava ensimesmado pela dor. Foi assim por mais de dois anos, bem mais. Coisa ridícula o egocentrismo; como é grotesco o personalismo.

O que a princípio era apenas medo horrível de contato humano, todo e qualquer toque se transformava em evoluções de nuances mais variadas de dor, foi, aos poucos, se transportando para a alma. O que era, a princípio, apenas impossibilidade de assentar-me à frente do computador para responder a manifestações de encontros de alma, foi se transformando em hábito. Eu já nem lia qualquer e.mail apenas para não ter que a nada responder. Os significados foram se perdendo. As importâncias foram diminuindo. As pessoas, gente, apenas gente, foram desvanecendo.

A compaixão com que fui tratado por todos, a começar do meu amado irmão Caio - quanta misericórdia, meu Deus - que puxou esse cordão diante de todos e todos foram se unindo a ele, azeitou por fora o invólucro em que me meti e de dentro da nebulosa de mim mesmo fui percebendo as coisas acontecendo, os amados irmãos se agregando, os encontros acontecendo e eu ali, quieto e envolto por essa unção de amor com o coração empedernindo pela falta da prática dos encontros, daquele trabalho ininterrupto de ter de se fazer bem-vindo, sempre, como acontece em todo e qualquer encontro sadio.

Eu estava, finalmente, casado com uma dor ciumenta, rival de tudo, até mesmo da minha família, de Rosane querida demais, filhos e netinho.

Dor infiel essa, que me abandona subitamente, da noite para o dia. Vejo-me só, ainda envolto num manto que, além perder a razão de ser e existir, cobre-me de vergonha pelo escândalo da imagem que cristaliza na minha retina de um nenenzão acalentado pelo cansaço de todos, chupando dedo.

Esse encontro começa para mim ainda no avião. Deparo-me com o mano Henrique de Belo Horizonte, assentado na janelinha, espremido na combi-voadora que se transformou os nossos aviões. Quem conhece o Henrique? Alguém já conheceu pessoa mais afável? Eu tinha rejeitado toda e qualquer manifestação de ternura vinda dele desde o nosso primeiro encontro-desencontro. Eu escolhera a saída de emergência para caberem as minhas pernas, mas trocaria de lugar para tentar correr atrás das pontes destruídas por mim. O avião encheu e fiquei assentado na única fileira com espaço e o coração mais apertado do que qualquer perna ali dentro.

No ônibus que nos levou até o local do encontro, forçadamente por mim assentado ao lado dele, não o deixaria por nada, veio o querido Jack conversar conosco. Olhar profundo, corpo magro, dando-me a sensação de um certo abatimento, numa humildade de doer a alma, disse-nos que viu-se subitamente escândalo de si mesmo e isso estava lhe trazendo uma cura enorme para a alma.

Era tudo o que eu precisava ouvir naquele encontro.

Puxa, como Deus age em ambientes de amor! Ninguém acusa a ninguém de nada! Apenas o desnudar dos próprios corações diante de outros trás consigo o escrito de dívida que te pega de surpresa, te agarra pela trama da própria babaquice humana, carnal, e lança ao rosto a verdade de se ver desnudo, sem chão, sem teto, sem parede e sem lugar de refúgio.

Eu, escândalo de mim.

Nenhuma acusação de qualquer olhar que fosse, apenas de mim mesmo e da minha consciência.

O show de humor foi o início da catarse, o pivô para lançar-me à árdua tarefa de tentar dizer a todos que eu me enxergava. Um ser humano veste-se de ridículo, ridiculariza a todos e, de tão ridículo que é, mesmo tirando gargalhadas deliciosas de todos, trás em si a leitura intrínseca de que qualquer que imitá-lo na ridiculização do outro, torna-se tão ridículo quanto ele. Assim ríamos do supra-sumo do grotesco.

Assentei-me à frente, ao lado da doce Malu que estava à beira de um ataque de tanto rir. O cidadão me chama, finalmente, junto com mais dois irmãos para dançar um reggae. Ensina-me de forma ridícula a fazê-lo. Simples: lança as pernas alternadamente à frente, abana a bunda alternadamente com os braços e faz cara de retardado. Tentei, juro que tentei. Todos são testemunhas de como eu tentei. Ele tentou que eu fizesse. Ensinou-me duas vezes. Mas a cintura empedrada não deixou. Bebi muito leite quando criança. Quem bebe muito leite quando criança fica com a cintura empedrada. Quando ele foi perguntar à Malu se eu era normal trouxe-me uma sensação nítida de que ela iria desmaiar de falta de ar. De tanto rir. Fui substituído. A única substituição. Eu era ridículo demais para aquela demonstração de ridiculez. Nem para isso eu servia. Que bom.

Preparei-me para tudo. Menos para o que de verdade aconteceu. Fui pego de surpresa pelo fenômeno desse Caminho. As pontes destruídas por mim estavam pré-fabricadas nos corações de todos que procurei. Eu achava que seria um longo caminho e não foi.

“Atraí-os com cordas humanas, com laços de amor; fui para eles como quem alivia o jugo de sobre as suas queixadas e me inclinei para dar-lhes de comer.” Oséias 11:4

Vi-me pequeno diante de todo amor demonstrado, de todo perdão concedido, de todas as mãos estendidas para a aproximação.

Como quis encontrar outros para isso, que ali não puderam estar, mas que sabem que o que eu estou aqui dizendo, caso leiam o que aqui escrevo a todos, que são para estes a quem me dirijo, também. Ah, sabem.

Saí daquele encontro com o coração explodindo de gratidão.

Porém, de toda a gratidão que se reserva aos manos amados que acolheram a mão estendida, cresce numa dívida de amor que apenas Deus poderá por mim pagar, a quem, apesar de todas as coisas, não deixou que eu sucumbisse em mim mesmo, diante de Rosane querida, diante dos meus filhos e diante de todos: Caio. Nosso querido e amado pastor Caio.

Com carinho e amor, aqui chorando de nem sei o que,

Tõe.