sexta-feira, março 14, 2008


O Evangelho é o Nome

Foi porque “os cristãos” não entenderam que o Evangelho é Jesus, que, separadamente de Jesus, criaram uma outra coisa, e que deveria ser vista por todos como “o Evangelho”. Assim, Jesus seria o Cordeiro da Cruz e da Ressurreição; mas, à parte Dele, deveria surgir uma “doutrina de salvação”; conforme o conceito de “doutrina” dos homens — tendo nos gregos os artífices filosóficos e metodológicos desse “ídolo de pensamentos” patrocinado pelo Império Romano. Ora, o Evangelho que se vê anunciado por Paulo, por exemplo, não é uma “doutrina”, conforme o termo se faz entender por nós, mas apenas uma explanação dos significados salvadores do que Jesus fez; e além disso, uma aplicação de natureza individual, existencial e, também comunitária do significado de se ter crido e aprendido em e de Jesus. Entretanto, tal explanação não obedece a lógicas humanas, e nem se reveste de nada que se assemelhe a um “sistema”; posto que, para Paulo, não havia nada a ser sistematizado no Evangelho, mas apenas crido. E o fato do apóstolo não ficar citando palavras de Jesus, conforme ditas e registradas nos 4 evangelhos (e que já existiam como informação oral), apenas prova que até mesmo o que Jesus disse não era material para ser “decorado”; antes era algo para ser entendido como espírito e como consciência aplicada à vida. Foi a esquizofrenia produzida entre Jesus-Evangelho, de um lado; e um corpo de doutrinas chamada de Evangelho; de outro lado (o qual é feito da sistematização de tudo o que na Bíblia se pode usar para fundamentar um pressuposto “lógico” acerca de um “plano da salvação”) — justamente aquilo que tornou Jesus tão diferente daquilo que a “igreja” chama de “Evangelho”; e, ao mesmo tempo, tornou a “igreja” tão díspare em relação à Pessoa de Jesus. Muita gente diz “o evangelho está crescendo...”; ou o “evangelho está tendo resistências...”; ou ainda “o evangelho progrediu muito...” — sempre em referência ao crescimento de adesões religiosas à “igreja”; mas quase nunca pensando que o Evangelho só cresce para dentro; e qualquer coisa que carregue o seu nome do lado de fora, tem que ser a mera reprodução do que ele gerou no coração. Todavia, para a “igreja”, Jesus salva; mas o que o salvo se torna não tem nada a ver com Ele! Aliás, se ficar parecido com Ele não serve para a “igreja”. Pois nada incomoda mais a “igreja” do que alguém que busque ser, radicalmente, como Jesus. Andar como Ele andou, para a “igreja”, significa outra coisa. De fato significa comportar-se como a “igreja” determina; mesmo que isto venha a ser equivalente a negar o modo como Jesus se mostrou a todos os seres humanos; conforme o registro dos 4 evangelhos. De fato Jesus é o Evangelho; pois é somente Nele, e na fé que converge de modo exclusivo para Ele, que surge o entendimento do Evangelho. O Evangelho é Jesus, em todas as Suas histórias, ações, visões, ensinos, interpretações da realidade, e, sobretudo, Sua entrega voluntária, como Cordeiro; e, para, além disso, Sua Ressurreição! Para se entender o Evangelho tem-se que olhar a vida com o mesmo tipo e qualidade de amor que Jesus demonstrou em Sua existência no tempo e no espaço; ou seja: na Sua Encarnação. O Evangelho só cresce em nós quando a consciência de Jesus se torna crescente em nós. Isto é ter a mente de Cristo, segundo Paulo. Portanto, isto é Evangelho. O Evangelho é o entendimento segundo Jesus que se torna vida e alegria para quem crê. Sem tal olhar e sem tal sentir e pensar, conforme Jesus, não há nada que seja Evangelho. Sim, sem isto podemos ter 4 evangelhos, mas não temos ainda o Evangelho. Isto porque o Evangelho não existe nos quatro evangelhos. Ali temos registros verdadeiros de Quem é Jesus; e de tudo o que, sendo essencial, Ele fez e ensinou. Sim, não há nada além de letras nos registros dos evangelhos, até nos mais originais de todos eles, posto que o Evangelho não é uma informação, mas sempre uma encarnação da Palavra. Por esta razão, do ponto de vista de Jesus, conforme os evangelhos, o Evangelho tinha a ver com gestos. Afinal, uma mulher o unge com óleo e Ele diz que aquilo era Evangelho. Na Bíblia há quatro evangelhos, mas nenhum deles é Evangelho enquanto não é crido e praticado! Quando Paulo diz que o Evangelho é poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê, ele não se refere a nenhuma sorte de adesão à “religião da salvação”, mas exclusivamente a ter crido e obtido, pela fé, o entendimento para provar a salvação como benefício espiritual já na Terra. Afinal, Evangelho é Boa Nova. E que Boa Nova há em quatro evangelhos que não se tornam Evangelho (produtor de vida e paz) na vida dos papagaios que o decoram? Há papagaios capazes de desenvolver inteligência de resolução de problemas de uma criança normal de seis anos. E com a memória que esses pássaros possuem se ensinados, decorariam os evangelhos, como uma criança é capaz de fazer quando treinada. Neles, porém, não haveria nenhum Evangelho. Evangelho é vir e aprender com Aquele que é manso e humilde de coração, achar descanso para a alma Nele; e trocar a canga da angustia pelo peso-leve de Seu fardo de alegrias. Evangelho é achar o tesouro que nos evangelhos é uma parábola! Evangelho é a chance de nascer de novo e de ter no coração o reino de Deus! Evangelho é certeza de perdão; mas que trás consigo o compromisso com o perdão ao próximo; que, no Evangelho, não é um sacrifício, mas algo agradável como um grande privilégio! Evangelho é ser forte contra a mentira e doce ante qualquer que seja a confissão de verdade! Evangelho é a alegria de dar a vida pelos amigos; e até pelos inimigos! Evangelho é, portanto, andar como Ele andou; e isto para total benefício de quem O segue em fé! Evangelho é assim... igualzinho a Jesus! E para eu dizer o que é Evangelho, com minhas imensas limitações, teria que escrever tudo o que vejo, sinto, percebo e recebo de Jesus todos os dias; além de tudo o que de Sua Graça vejo nos evangelhos, e enxergo como Evangelho de salvação, na minha vida, e na de todo aquele que crê e busca andar conforme a Sua mente. Assim, ao invés de buscar decorar os evangelhos, busque entender o seu espírito; pois Jesus disse: “As minhas palavras são espírito e são vida”. Enquanto o Evangelho não se torna um entendimento em fé, e que nos concede cada vez mais ver, sentir, e decidir conforme Jesus, nenhum benefício do Evangelho chegou até nós. O Evangelho é Caminho, Verdade e Vida — e Caminho, Verdade e Vida só estão em Jesus. Portanto, o Evangelho é Jesus e Jesus é o Evangelho; e tudo o que não for assim e conforme o espírito de Cristo, pode até ganhar o apelido de “evangelho”, mas não é Evangelho. Ora, é apenas por crer que os quatro evangelhos só se tornam Evangelho se cridos e praticados como entendimento e consciência; e também é somente por ter o testemunho de toda a História da Igreja quanto ao fato de que sem Bíblias, o povo fica nas trevas; mas também que com Bíblias, porém sem ter a Jesus como a “chave hermenêutica” da leitura, o povo fica “evangélico” — que ouso dizer que nem mesmo a Bíblia ajuda se a pessoa não tiver entendido que Jesus é o Evangelho; e que até da Bíblia muitas coisas deixam de ser Evangelho pelo simples fato de não terem sido encarnadas por Jesus como vida. O local físico onde posso ler os quatro evangelhos é a Bíblia. Porém se na leitura eu não olhar tudo a partir da certeza de que Jesus é o Evangelho, a Bíblia servirá apenas para dividir e dividir as pessoas em nome de Deus; porém sem Deus em nenhuma das divisões; todas feitas em nome de verdades de fariseus; as quais, para Jesus, ainda quando eram verdadeiras, se tornavam mentira; posto que não eram praticadas pela via do amor que fez Deus se encarnar em Jesus.

Nele, que é o Evangelho,

Caio

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