segunda-feira, março 10, 2008

O Caminho da Graça é para todos, mas nem todos querem.

Por Ivo Fernandes

Desde que comecei a me reunir com os irmãos em Abril de 2006 que digo que o Caminho da Graça é para mim, isso em hipótese alguma anula o que também muito digo que o Caminho da Graça é para todos. Quando digo que é para mim é porque sei que durante este tempo muitos descobriram que o Caminho da Graça não é para eles.
Eu, particularmente, estou neste Caminho porque não tenho mais outro caminho a fazer. Mas não tenho o caminho como quem tem a última das opções. Tenho como quem entendeu que este Caminho só se acha quando não mais se procura, mas se permite ser achado. E uma vez achado neste caminho entende de uma vez por todas que só há um Caminho.
Há algumas reuniões atrás orei por nossos entendimentos a fim de que nenhum de nós acredite-se parte de um ‘grupo seleto’ que discursa como ninguém sobre a Graça, pois afinal a Graça não é objeto para discursos, mas é a essência do próprio Deus pela qual existimos, nos movemos.
Domingo passado, falei da necessidade de anunciarmos tão grande salvação, pois no Caminho se semeia enquanto se caminha e se caminha enquanto se semeia. Sim, esta é a nossa caminhada. Não é uma caminhada de reclamações, e nem uma caminhada que se faz em direção ao nada. Não é uma caminhada que carrega bandeiras anti-denominacionais, ou anti-institucionalismo, ou anti-quaquer coisa. Nossa única bandeira é o Amor.
Durante esse período, quis muito que certas pessoas caminhassem comigo neste Caminho, mas já há muito percebi que o Caminho tem muitos admiradores, e até tem certos freqüentadores. Muitos falam melhor do Caminho nas estradas virtuais do que eu já mais falei, mas sinto que muitas dessas falas são somente virtuais. Na verdade poucos querem esse Caminho real, preferem apenas a estrada virtual. Isso talvez por que na estrada virtual o Evangelho continua como antes, só palavras. Na estrada virtual podemos amar visto que na virtualidade este amor não exige nada de mim. Quem realmente deseja encontros reais nas estações do Caminho?
Alguns já chegaram a me dizer que não gostam dos encontros porque não conseguem se adaptar a informalidade visto que quanto mais informal é algo, mais expostos estamos. Quem suporta ser visto apenas como é?
Outros não sabem viver a liberdade cristã. Saíram e na exagerada comemoração da liberdade, tornaram-se presos de novo, agora ao novo modelo de curtir a vida, onde não há mais espaço para nada que não gire em torno do eu.
Qualquer lugar serve para aqueles que não querem o Evangelho na vida, menos um lugar em que não se tenha como fugir do contato real com o que somos e com a verdade do próximo.
As reuniões desde o dia em que começamos são distintas uma das outras, desde o quesito quantidade de participantes até formato de reuniões. Isso porque mesmo sendo uma instituição, visto que onde houver um grupo de pessoas reunidas ali há uma instituição, não queremos institucionalizar nunca a alma e a fé.
Já houve gente que não quis o caminho porque qualquer reunião organizada lhe dá ojeriza. Não entendem que não estamos contra formatos, modelos e sim contra todo espírito que não procede do Evangelho.
Desse modo, como diz o Caio: o Caminho da Graça é uma instituição pelo simples fato de milhares de pessoas — seja pelo site, seja em razão dos encontros nas dezenas de grupos e Estações — afirmarem sua convergência de convicção nas mesmas coisas, confessando harmonicamente os mesmos objetivos fundados no Evangelho, e, de modo relativo e secundário, expressos de forma atualizada nos conteúdos expressos neste site. Entretanto, o principal conteúdo do Caminho da Graça é sua disposição de existir em metanóia permanente, no permanente encontro entre a Palavra e a existência.
Acho que uma das explicações porque muitos que dizem que querem na verdade não querem este Caminho, encontrei quando passei a experimentar novos vinhos com meu sogro. Todo vinho que já havia tomado na vida era o que podemos chamar de “vinho velho” quando experimentei dos “vinhos novos” meu paladar rejeitou aquele gosto como horrível, mas como o que é bom pode ser ruim? Quando nos acostumamos com o gosto do vinho velho não suportamos o vinho novo. Foi necessário, força de vontade até conseguir apreciar o vinho novo e realmente reconhecer a diferença.
Penso que todos aqueles que não viverem a desconstrução do velho jamais aprenderão a amar o novo.
Sou do Caminho, estou no Caminho e sei-sinto que isso não se refere a minha denominação religiosa, mas a meu novo estado, minha nova maneira de caminhar,de ver e de sentir as coisas.
Muitos acusam o Caminho de pregar uma Graça barata, estes são aqueles que provavelmente não entendem o que é Graça pois se soubessem saberiam que termos como “barato” “caro” não podem servir a algo que é de Graça. Sim a Graça é de Graça. Outros apelam para um discurso moral falando que entre nós não há busca de santidade e nem transformações. Mais uma vez são pessoas que nunca vieram e nunca conferiram nada, apenas repetem o que ouviram em algum lugar e não sabem onde. Nunca minha fé foi tão visceral, meu compromisso tão verdadeiro e minha sede tão grande quanto neste tempo em que Caminho.
Penso que o Caminho da Graça, sim, é para todos, mas nem todos querem. Quanto a mim, para onde irei? Vivo no Caminho porque o Caminho é uma pessoa e seu nome é Jesus.

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