quinta-feira, dezembro 11, 2008

Apenas 2 denários!


Domingo à noite, após a reunião no caminho da graça, fomos até o centro da cidade para ver uma apresentação natalina. Estava muito cheio gente e permaneci de longe tentando ouvir.


Passado algum tempo chegou uma pessoa que fazia um tempo eu não via. Uma cristã verdadeira, porém absorvida em pensamentos e concepções evangélicas, que não do Evangelho. Não a julgo de maneira nenhuma, pois faz o que muito fiz. Por aqui nesses dias é inevitável as perguntas: “ E vocês estão bem? Foram afetados pela enchente?”. Após saber que tudo estava bem, ela começou sua explanação de livramento: “Eu passei a noite repreendendo pra gente ficar imune, afinal Deus faz diferença entre seus justificados pelo sangue de Jesus. Mesmo que seja verdade que muitos crentes foram atingidos” E eu sem querer ser grosseiro só dizia: “pois é”. Tentei desconfortá-la: “Acho que quem Deus “imunizou” tem o dever de ajudar os afetados não é? Fiquei triste de ver igrejas mantendo suas programações normais, enquanto a água engolia muita gente. Sua igreja fez algo em favor das pessoas?” . “Não” ela me disse. “temos lá 3 cestas básicas mas Deus não nos mostrou o que fazer com elas”. Eu ouvi isso ao fundo de hinos cristãos em praça pública, executados por “mundanos” que fizeram uma campanha pra arrecadar brinquedos usados pra crianças na redondeza pra não passarem o natal em branco.


Fui remetido a uns minutos antes, quando estávamos na reunião da estação lendo em Lucas 10, o bom Samaritano, onde conclui:


Um teólogo perguntou a Jesus: Mestre que devo fazer pra ser um salvo? Ao que Jesus respondeu: Como resumes tua teologia? “ Amar a Deus sobre tudo e de toda forma, e o próximo como a si mesmo” – respondeu o teólogo. E Jesus retornou: “bingo”, faz isso e serás salvo. Infelizmente, Jesus ouve sua última pergunta:“Quem é o meu próximo?”.Então Jesus decide contar uma história:


Certa família foi pega de surpresa por uma tragédia. Uma chuva intensa, fez com que um barranco desmoronasse nos fundos de sua casa e trouxe lama até sua cozinha. Eles olharam e viram que muito mais podia vir abaixo. Quando desceram a rua pra pedir ajuda pra salvar os móveis, perceberam que estavam ilhados pela água que havia tomado a rua com mais de 1 metro de altura. Ficaram desesperados por uns 4 dias, mesmo tendo sido alojados num galpão de uma igreja católica pela defesa civil. Pouca coisa sobrou de seus poucos pertences e a casa condenada.


Diante da situação um pastor lamentava, pois as coisas podiam ser diferentes se esse povo se voltasse pra Deus. Desse modo as pessoas ficariam protegidas, assim como ele foi. Por isso não pode parar, ele tinha um culto pra prestar ao Deus que o socorreu. Era também dia de entregar sua oferta no altar.


Logo depois, passou um ministro gospel, que teve de fazer um contorno imenso por outro caminho pra chegar no templo. Quase chegou atrasado pra campanha de 72 horas de louvor sem interrupção. Felizmente chegou bem no horário de sua escala.


Pra salvação da família que havia perdido tudo, um próximo bem distante, quem sabe de Recife, São Paulo ou Porto Alegre ou mesmo do outro lado da cidade, falou com sua patroa:“ Pega umas roupas e aquele colchão do quarto de visitas. Pega também uns 2 denários lá na gaveta pra comprar uns mantimentos. Tem uma carreta que vai levar isso pra umas pessoas que precisam mais do que nós. Depois com o décimo terceiro a gente vê se consegue ajudar um pouco mais.


No final a pergunta de Jesus: Qual desses é o próximo?Amar a Deus com força, coração, alma e entendimento é direcionar o serviço ao próximo, mesmo que seja com apenas 2 denários.


Denário = renda pelo trabalho de 1 dia. Na média salarial brasileira uns R$ 25,00.


Ronie

quinta-feira, dezembro 04, 2008

Respostas para as perguntas que não queriam respostas

1. Quem pode participar das reuniões?
O Caminho da Graça é para todos. Os perdoáveis e os imperdoáveis.

2. Vocês são parecidos com qual denominação e qual doutrina?
Não somos parecidos com nenhuma denominação. Nem desejamos nos parecer com uma ou ser uma. O alvo de um ser humano é se parecer com Cristo. “... até que todos cheguemos à Sua estatura..."

3. Quer dizer que a falida seita do Caio Fábio chegou a Fortaleza?
Sim. A falida seita do falido Caio. Tomara tanta falência nos aproxime Daquele que tudo revive e revivamos todos com Ele.

4. Como é a cerimônia de vocês, liturgia, ordem do culto?
Não temos. Encontramos-nos e a partir daí, tudo é bom.

5. O que vocês dizem aos que estão em pecado?
Pecado se resolve com perdão. É isto que dizemos.

6. É verdade que vocês fazem troca de casais e aceitam adúlteros?
Não somos partidários desta pratica, isto é, troca de casais. Aceitamos entre nós pecadores que pecam porque são pecadores, portanto, aceitamos adúlteros, mentirosos, fofoqueiros, vaidosos, orgulhosos, trapaceiros, etc... Entre eles eu, você e quem chegar...

7. O que vocês acham da igreja evangélica contemporânea, e de seus líderes que, porventura, caíram?
Da igreja evangélica não achamos nada. Dos lideres que caíram, bem,"TODOS PECARAM E DISTITUIDOS ESTÃO DA GLORIA DE DEUS "e "NÀO HA CONDENAÇÃO SOBRE OS QUE ESTÃO EM CRISTO JESUS"

8.O ministério de louvor de vocês toca qualquer música, como vocês podem dirigir o louvor do povo, como vocês têm a capacidade de profanar o templo de DEUS?
Que "ministério de louvor"? O que é qualquer musica? Quem dirige o louvor do povo? Que templo? Nossa, sobre que "deus" você está falando? O Deus encarnado em Cristo é que não é.

9. Como líderes adúlteros conseguem conviver com vocês ai no Caminho da Graça? Incrível como todos que caíram se unam!
É incrível mesmo. Eles convivem junto com todos os outros pecadores. É normal. Todos vivem disputando quem chega primeiro aos pés da Cruz.

10. O que pensam em fazer com os adúlteros do Caminho da Graça, e cada vez chegando mais em Fortaleza; inclusive o Fulano de Tal!
O que se faz e o que se devem fazer todos, isto é, nos expormos ao Evangelho de Jesus e deixar que Evangelho produza os efeitos que só o Evangelho pode produzir.

Perdão pelas irreverências, mas, só rindo disto tudo.
Bjs

Carlos Bregantim (Adaptado para Fortaleza)

segunda-feira, novembro 17, 2008

UM "CREDO" CAMINHANTE?

Gente amada,

No Caminho da Graça, de vez em quando, aparece gente se queixando que eu não ensino "doutrina" em Santos, que o Caio não estabelece um "Credo". Eles querem dizer que não enfatizamos os dogmas e sistemas que distinguem uma igreja de outra... Mais ou menos isso.
Ora, continuaremos sem o fazer, senão qdo houver oportunidade especial, gerada pela necessidade urgente dado alguma perversão presente, tipo: Jesus já voltou, Jesus não voltará, Jesus voltará antes, Jesus voltará depois, Jesus recolheu os dons, Jesus manifesta os dons, Jesus predestina, Jesus deixa que nós decidamos, Jesus manda pro inferno, Jesus tira do inferno, a gente dorme (descansa) quando morre, ou a gente salta da morte para o colo do Pai, e por aí vai...
Bom, se o essencial estivesse assentado como verdade Absoluta no coração de quem crê, a gente ia se divertir articulando normatizações, pinçando os elementos periféricos mais palatáveis no vasto cardápio de possibilidades doutrinárias... Self-service... Seria como ir no Subway e montar o próprio sanduíche, como a "igreja" faz, misturando ingredientes onde um anula o gosto do outro, quase sempre! Tipo assim: Salvo pela? Graça. Santificado pelo? Mérito.
Vai entender!
Quanto a nós, enquanto a perversão for aquela que se refere a própria pregação da BOA NOTÍCIA DA RECONCILIAÇÃO E DO PERDÃO, o que faremos sem cansar é pregar a BOA NOTÍCIA DA RECONCILIAÇÃO E DO PERDÃO.

O que há é a pregação do FUNDAMENTO DOS APÓSTOLOS.
Agora, me digam: Para que serve ensinar as doutrinas periféricas que acrescentam conhecimento à "intelectualidade espirituóide", se a mais premente necessidade é responder à perversão do que é básico, fundamental e essencial, pilares sem os quais nada se contrói.
Imagina ensinar teologia a quem não conhece nem a si mesmo, e pretende ainda assim, conhecer a Deus... em fragmentos.
Se não se conhece nem a Cristo, e Esse crucificado; como se conhecerá a Jesus Glorificado? Um "credo" Caminhante? "CRUZ-Credo!" Meu credo é a Cruz, onde fui crucificado com Cristo, e a vida que eu vivo, vivo-a pela FÉ no Filho de Deus, que me amou e a si mesmo se entregou por mim!
Do contrário, quem começar do fim, acabará assim: Deus em fragmentos, gente fragmentada.
É como pensar na decoração das paredes numa casa que não tinha teto e não tinha chão. Esse é o Cristianismo de nossos dias: quer deliberar sobre o aborto, sobre a inclusão do homossexual, sobre os tipos de batismos, sobre o destino eterno dos orientais, sobre a crise econômica e sua sombra apocalíptica, e não se enxerga a si própria perdida do ESSENCIAL.
No Caminho da Graça não se ensina a SABER. Ensina-se/aprende-se a CONFIAR.
Quem confia, saberá.
Quem sabe, deve saber também como convém saber; posto que o saber acadêmico-espiritual raramente gera confiança e convicção de fé, e quase sempre realiza o contrário na "alma sábia": presunção e arrogância.
Por isso, caros amigos, não se preocupem. Enquanto o fundamento dos apóstolos e a chave de interpretação em Cristo não for o chão teólogico da caminhada e enquanto o Caminho de Deus encarnado não for nosso caminho mais excelente, de amor devotado ao próximo... Nada poderemos fazer quanto a um "credo caminhante".
Credos são para religiões.
No Evangelho não há credos! Nem crenças! Nem créditos!
Crê somente!
Daí, um monte de perguntas sem respostas ficam respondidas; não pela assimilação da resposta exata, mas pela dissipação da pergunta. Você vai procurar aquela questão tão aflitiva por tantos anos (tipo: por que sofremos?), e quando percebe ela dissipou-se, evaporou-se, desocupou o peito, des-encucou a mente... Já era!
Calvinistas? Arminianos? Ecumênicos? Universalistas? Liberais? Reformados? Místicos? Pré-tribulacionistas? Pós? Trans? Amilenistas? A Terra "enrolada como papel, destruída pelo fogo"? Ou a Terra restaurada para herança dos mansos? A Bíblia é? A Bíblia contém? A Bíblia não tem?
Ah! Meus irmãos... Quem não confia no Amor, desconfia que Deus não saberá o que fazer se nós não o orientarmos detalhadamente. Quem confia no Amor tanto pode ser arrebatado desse mundo como ficar até o instante final, onde a coisa vai ficar tão feia, que se não fosse abreviada nem os eleitos se salvariam!
Os eleitos não se salvariam se a salvação não os tivesse elegido!
Quem entende isso?
Deixa pra lá...meu irmão!
Há Deus sobre a História!
Quanto a ti, vai e segue-O! E aí "onde Eu estiver, estareis vós também!"
Louvado seja o Senhor!
Na mesma Graça,
Marcelo Quintela Santos/SP

segunda-feira, outubro 06, 2008

Descobrindo Jesus



Desde o momento que passei a caminhar pela fé vi a necessidade de desconstruir muita coisa, visto que meu castelo de idéias tinha seus fundamentos na religião cristã e não necessariamente em Jesus e em sua mensagem. Desde então passei a buscar conhecer Jesus, e essa minha viagem particular já fez mais bem a minha alma do que a soma de todos os anos anteriores a ela.

Queria de verdade conhecer Jesus e sua mensagem e não uma imagem dele feita a partir da mentalidade da igreja ocidental. Sei que Jesus e sua mensagem são maiores do que minha capacidade de entendê-los por inteiro. Mas eu posso caber inteiramente dentro de sua mensagem.

Muitas pessoas me criticam e me acusam de estar trazendo outra mensagem, visto que dizem já saber tudo sobre Jesus e não há nada para se acrescentar. Mas a verdade é que o Jesus ensinado em muitos lugares, reduzido a conceitos ou fórmulas não tem nada a ver com o Homem de Nazaré.

Se não estivéssemos cegos pela doutrina veríamos que o Jesus domesticado da igreja não tem nada a ver com o Jesus relatado nos evangelhos de Mateus, Marcos, Lucas e João. Sentiríamos a diferença da mensagem dos pregadores televisivos da mensagem poderosa de Jesus de Nazaré.

Depois do início da minha viagem não posso mais aceitar esse modelo a mim ofertado de Jesus “evangelicalizado” “cristianizado”. Estou cada vez mais disposto a seguir o projeto fascinante de ser discípulo de Jesus de Nazaré, e convicto de que sua mensagem for redescoberta e crida a possibilidade do reino deixa de ser possibilidade e passa a ser realidade.

Ivo Fernandes
06 de outubro de 2008

quinta-feira, outubro 02, 2008

POR QUE JESUS MANDOU PREGAR?


Por que Jesus mandou pregar o Evangelho?

 

Primeiro devo começar com o que não é objetivo do anuncio do Evangelho, mas que entre a multidão dos discípulos equivocados, é aclamado como sendo parte do objetivo do Evangelho.

 

Não é objetivo de Jesus que o Evangelho seja anunciado a fim de fazer as pessoas mudarem de religião.

 

Nem tampouco para que as pessoas passem a freqüentar um templo, nem para cantarem hinos para Jesus entre chineses ou hindus, esquimós ou índios nus, como dizia o “corinho” da Escola Dominical.

 

Nem ainda é objetivo de Jesus que o Evangelho seja anunciado para que o Cristianismo se expanda na Terra. Deus não é cristão, contrariamente ao que alguns dizem: “O Deus cristão é...” assim ou assado...

 

Nem ainda é objetivo de Jesus que o Evangelho seja anunciado para despovoar o inferno e povoar o céu, como se tudo dependesse da iniciativa do “cristianismo” para a salvação humana.

 

Nem ainda é objetivo de Jesus que o Evangelho seja anunciado para que os crentes sejam “glorificados” na Terra.

 

Nem ainda é objetivo de Jesus que o Evangelho seja anunciado para batizar pessoas usando muita ou pouca água.

 

Nem ainda é objetivo de Jesus que o Evangelho seja anunciado para que se discuta com os novos convertidos o resto da vida acerca de quem joio e quem é trigo.

 

Nem ainda é objetivo de Jesus que o Evangelho seja anunciado para criarmos impérios de comunicação cristãos.

 

Nem ainda é objetivo de Jesus que o Evangelho seja anunciado para qualquer coisa que não seja a encarnação do bem do Evangelho no coração das pessoas.

 

O Evangelho é a noticia de Deus aos homens, a saber: que Deus estava em Cristo reconciliando consigo mesmo o mundo todo.

 

Jesus não ergueu nada fora do coração humano, correndo todos os riscos de tal “confiança” na natureza humana, pois, de fato, fora do coração não cabe nada que seja essencialmente reino de Deus.

 

Qualquer bem do Evangelho será sempre vida. E vida como o ensino e conforme a prática de Jesus, no espírito de tudo o que Ele viveu e, assim, ensinou.

 

O Evangelho, portanto, antes de tudo é Reconciliação.

 

Sim! É Reconciliação do homem com Deus, consigo mesmo e com o próximo, mesmo que o próximo seja inimigo, pois, assim como Deus se reconciliou conosco sendo nós inimigos de Deus no entendimento e nas praticas de obras perversas e alienadas, ainda assim Ele nos amou e nos ama, e, unilateralmente se reconciliou conosco.

 

É Reconciliação com Deus porque Deus a fez e feita está. Assim, não há o que discutir, mas apenas dizer “quero” ou “não quero”.

 

É Reconciliação do homem consigo mesmo porque Deus o perdoou. Portanto, perdoado está todo homem que creia que está perdoado; e assim viva como quem crê que está perdoado, perdoando outros, como Deus em Cristo o perdoou.

 

É Reconciliação do homem com seu próximo, pois, quem foi perdoado de tudo, perdoa tudo e segue em amor.

 

Portanto, é apenas Reconciliação que o Evangelho carrega como objetivo.

 

Por causa disso, o Evangelho é também Reconciliação do homem com o todo da criação de Deus, pois, se o que existe é de Deus, e nós dizemos que Dele somos, o natural é amar a tudo o que Ele criou, e proteger cada coisa para ter sua própria existência.

 

Se a pregação gera isto como vida, então é o Evangelho que se está pregando. Mas se não gera, ou é porque quem ouve não quer ou não entende; ou, então, é porque não é o Evangelho que está sendo pregado.  

 

O Evangelho ensina tudo, menos uma religião. Aliás, desde que João disse que na Nova Jerusalém não há santuário que ficamos sabendo que o Evangelho é ateu de religião.

 

É simples assim.

 

O Evangelho é o bem das ovelhas de Jesus em todos os outros apriscos.

 

Ora, o Evangelho pode ser o bem de Jesus até para cristãos, quanto mais para todos os homens.

 

É ou não é?

 

 

Caio

 

01 de outubro de 08

Lago Norte

Brasília

DF

quinta-feira, setembro 25, 2008

Decálogo Voto Ético


Eis aqui alguns balizamentos fundamentais sobre o uso ético do voto do evangélico, conforme o sumário de propostas defendidas pela conferência da então Associação Evangélica Brasileira (AEVB).

I – O voto é intransferível e inegociável. Com ele o cristão expressa sua consciência como cidadão. Por isso, o voto precisa refletir a compreensão que o cristão tem de seu País. Estado e Município;

II – O cristão não deve violar a sua consciência política. Ele não deve negar sua maneira de ver a realidade social, mesmo que um líder da igreja tente conduzir o voto da comunidade numa outra direção;

III – Os pastores e líderes têm obrigação de orientar os fiéis sobre como votar com ética e com discernimento. No entanto, devem evitar transformar o processo de elucidação política num projeto de manipulação e indução político-partidário;

IV – Os líderes evangélicos devem ser lúcidos e democráticos. Portanto, melhor do que indicar em quem a comunidade deve votar, é organizar debates multipartidários, nos quais, simultânea ou alternadamente, os vários representantes de correntes políticas possam ser ouvidos sem preconceitos;

V – A diversidade social, econômica e ideológica que caracteriza a igreja evangélica no Brasil, deve levar os pastores a não tentarem conduzir processos político-partidários dentro da igreja, sob pena de que, em assim fazendo, eles dividam a comunidade em diversos partidos;

VI – Nenhum cristão deve se sentir obrigado a votar em um candidato pelo simples fato de ele se confessar cristão evangélico. Antes disso, os evangélicos devem discernir se os candidatos ditos cristãos, são pessoas lúcidas e comprometidas com as causas de justiça e da verdade. E mais: é fundamental que o candidato evangélico queira se eleger para propósitos maiores do que apenas defender os interesses que passam também pela dimensão política. Todavia, é mesquinho e pequeno demais pretender eleger alguém apenas para defender interesses restritos às causas temporais da igreja. Um político evangélico tem que ser, sobretudo, um evangélico na política e não apenas um “despachante” de Igrejas;

VII – Os fins não justificam os meios. Portanto, o eleitor cristão não deve jamais aceitar a desculpa de que um político evangélico votou de determinada maneira, apenas porque obteve a promessa de que, em fazendo assim, ele conseguirá alguns benefícios para a igreja, sejam rádios, concessões de TV, terrenos para templos, linhas de crédito bancário, propriedades ou outros “trocos”, ainda que menores. Conquanto todos assumamos que nos bastidores da política haja acordos e composições de interesses, não se pode, entretanto, admitir que tais “acertos” impliquem na prostituição da consciência de um cristão, mesmo que a “recompensa seja, aparentemente, muito boa para a expansão da causa evangélica. Afinal, Jesus não aceitou ganhar os “reinos deste mundo” por quaisquer meios. Ele preferiu o caminho da cruz;

VIII – Os eleitores evangélicos devem votar baseados em programas de governo, e não apenas em função de “boatos” do tipo: “O candidato tal é ateu”; ou: “O fulano vai fechar as igrejas”. Ou o sicrano não vai dar nada aos evangélicos”; ou ainda: “O beltrano é bom porque dará muito para os evangélicos”. É bom saber que a Constituição do país não dá a quem quer que seja, o poder de limitar a liberdade religiosa de qualquer grupo. Além disso, é válido observar que aqueles que espalham tais boatos, quase sempre, têm a intenção de induzir os votos dos eleitores assustados e impressionados, na direção
de um candidato com o qual estejam comprometidos;

IX – Sempre que um eleitor evangélico estiver diante de um impasse do tipo: “o candidato evangélico é ótimo, mas seu partido não é o que eu gosto”, é de bom alvitre que, ainda assim, se dê um “voto de confiança” a esse irmãos na fé, desde que ele tenha as qualificações para o cargo. A fé deve ser prioritária às simpatias ideológico-partidárias.

X – Nenhum eleitor evangélico deve se sentir culpado por ter opinião política diferente da de seu pastor ou líder espiritual. O pastor deve ser obedecido em tudo aquilo que ele ensina sobre a Palavra e Deus, de acordo com ela. No entanto, no âmbito político, a opinião do pastor deve ser ouvida apenas como a palavra de um cidadão, e não como uma profecia divina”.



Este Decálogo foi escrito basicamente por mim, quando presidia a AEVB, e teve algumas pequenas inserções de outros amigos no texto, o qual foi amplamente divulgado em 1994, quando das eleições.

Continua válido!


Caio

24 de setembro de 2008

quarta-feira, agosto 27, 2008

OUÇAM-SE NA MINHA TRISTEZA, POR FAVOR! - Caio

Meus amados irmãos do Caminho da Graça: Graça e Paz!


Antes de 1998, os que colaboravam com o que fazíamos eram pessoas comprometidas e que não nos deixavam na mão.

Havia até aqueles que diziam: “Não irei ou não poderia estar, mas quero pagar para alguém que possa ir, mas não tenha como pagar!”

Hoje... Ai meu Deus, hoje!!!

Hoje, me dá tristeza; e muita!

Temos um site que abençoa milhões, inclusive você que lê esta carta, mas que, até hoje, é sustentando de modo angustiado e parco, pois, os “abençoados” não conseguem somar 1 + 1.

A rádio abençoa milhares e milhares! Mas quem pensa que ela tem custos?

Agora temos a Vem e Vê TV. É uma benção. No entanto, poucos mentores do Caminho da Graça se inscreveram, e, além disso, os do Caminho em Brasília, que antes de eu vir para cá em 2004 eram, juntamente com São Paulo, o maior publico do site, hoje, contando comigo aqui, tornaram-se, a maioria, em uns seres de Nazaré: sem afeto, sem compromisso, sem fidelidade, sem investimento, sem quase tudo que vale a pena.

Gente! Estou mesmo é muito triste e até chateado!

Não é possível que tenhamos que tirar a VVTV do ar porque não nos interessamos em ajudar, tendo banda larga ou não, apenas porque se crê que é útil e que abençoa a muitos.

Já estamos operando sem banda larga dedicada porque os que disseram que “assinariam” antes, não assinaram depois; ou, então: assinaram e não pagaram e não pagam.

Vocês estão tendo outra vez todas as chances que quatro anos atrás nenhum de vocês cria que aconteceria outra vez!

Entenderam? Estou dizendo NENHUM DE VOCÊS CRIA QUE HAVERIA OUTRA CHANCE!

Ora, ela veio; mas, os caminhantes são lerdos e não vão a lugar algum.

Se você não tem nada a ver com isto, esqueça. Mas se tem, minha oração é que você se angustie e muito; pois, sinceramente, dá tristeza ter que depender da ajuda de gente tão alienada e esquecida até do bem que recebe.

Se alguém ainda quer mudar de atitude escreva para chico@caiofabio.com.

Eu ando cansado de tanto “fraternalismo inconseqüente” e descaso!

Triste e muito; e até com saudade dos que filosofavam pouco e agiam muito, como era no passado.


Caio

PS: O absurdo é o Edvaldo ter que tirar do que não ganha, individar-se, a fim de manter funcionando aquilo que todos dizem ser uma benção. Sem o Edvaldo e tudo isto que todos dizem ser alimento, estaria apenas no meu computador. Meu herói é o Edvaldo, que fala pouco e faz muito.


27 de agosto de 2008
Lago Norte
Brasília
DF

segunda-feira, julho 21, 2008

Carta aos amigos do e no Caminho

Desde Março deste ano que não conseguimos arrecadar dinheiro suficiente para pagar as contas concernentes às despesas da estação como aluguel da casa do Caminho, água, luz, alimentação, etc.

Já estamos chegando ao final do mês e não temos nem metade do valor que precisamos. Confesso que não sei o que fazer. Já tenho tirado bastante da minha casa para ajudar no que posso, quando na verdade precisaria ser auxiliado pela estação.

Sei que podemos mudar este quadro se realmente amamos esta obra. Em vez de apenas uma pessoa ajudar todos podem se envolver.

Se as coisas não mudarem talvez precise tomar atitudes que não gostaria como o fechamento da casa o que levaria muitas pessoas que nela são atendidas a ficarem desamparadas.

Você pode ajudar fazendo um depósito e nos avisando na conta:

Conta
BANCO DO BRASIL
Ag.: 3253-0
Conta nº: 9466-8
Conta Poupança
variação 01J
anaína Caldas da Silveira Fontenele

Ou nos procurando em qualquer uma das reuniões e nos entregar sua contribuição.

Maiores contatos: 85 8878 5758
E no e-mail –
caminhofortaleza@hotmail.com

Em Cristo em quem está posta minha esperança

Ivo

21 de julho de 2008

terça-feira, julho 01, 2008

Uma breve análise...


Desde que o Vento soprou por aqui, muita gente passou pela Estação, a partir da qual um processo saudável de vinculamento tomou início. Até hoje ninguém se vinculou ao lugar como membresia arrolada. Não. O Chamado é para sermos membros uns dos outros. Não acho que uma coisa exclua a outro, acho só que a pedagogia do Evangelho exige que seja assim agora, visto que nossas mentes estão viciadas na institucionalização do Corpo (como se isso fosse possível!).

Obviamente, muitos não se vincularam comunitariamente. Tem quem não consiga fazê-lo sem preenchimentos de fichas e anúncios oficiais, cartas de transferência ou benção pastoral.

Outros tentaram ficar, mas não conseguiram se fixar no Nada, se sustentar sobre a falta absoluta de um chão institucionalizado. Ficaram perdidos sem pilares onde se apoiar, chocados com as colunas da secularidade que nos é típica e que chamam ‘profana’. Sentiram-se inseguros sem sacerdotes que os intermediasse, sem vitrais que os inspirassem a mais propícia atmosfera, sem a cultura religiosa que melhor correspondesse à familiaridade de sua cristianização de nascença.

Reconheço que aqui é tudo tão simples que até dá raiva!

Lugar onde as velhas magias, as unções fabricadas e os enredos frouxos não “colam”. Não ficaram porque ficaram decepcionados com uma arquitetura ministerial sem degraus. “Como subir se não há degraus?” Não gostaram de serem designados somente ‘servos’, tendo em vista o vasto currículo do sacro-ofício.

Não se sentiram bem de serem tratados como gente. Aliás, alguns não gostaram da gente. Não gostam de gente que se pareça com gente sem sentir vergonha disso.
Quem fica numa Estação do Caminho da Graça, então?
Por aqui fica quem já não tem mais perguntas a fazer a Deus, mesmo carecendo de muitas respostas.

Fica quem sabe que é doente, quem sabe que é o menor, que sabe que nada sabe e quem sabe como convém saber!

Fica, acima de tudo, quem sabe que é o principal dos pecadores.

Fica quem não tem mais nada nas mãos para negociar.

Quem compra e vende no templo, não agüenta ficar por aqui não... Não tem sentido, não dá lucro!
Fica quem não tem nenhuma ambição para ficar, fica quem já morreu, fica quem faliu.
Para ficar aqui tem que lembrar que aqui não é um lugar de ficar, senão para servir o próximo que por aqui passa. Sim, aqui ninguém faz carreira, mas todo mundo tem compromisso com a samaritanização do amor de Deus na direção de gente roubada e extorquida pelo caminho da vida. Quem fica por aqui tem que ter reverência pelo semelhante-tão-diferente, pelo diferente igualmente carente, faminto... humano!
Nesse ambiente de liberdade, ninguém é livre para dominar o povo!
Ninguém tem liberdade para infringir fardos pesados sobre costas alheias. Onde liberdade e reverência se encontram, legalismos e libertinagens não contam! Só fica aqui quem morreu para a Lei, e quem não vive mais para o pecado!

É assim que é. E em três assim sendo, já deu para ver que É!

Fique aqui, então.

Na mesma Graça,

Marcelo

sexta-feira, junho 20, 2008

PRINCÍPIO DE UMA ESTAÇÃO DO CAMINHO

Quando falamos de Estação do Caminho da Graça muitos procuram significados funcionais não entendendo que tudo no Caminho começa do essencial. Sem a clara compreensão da essência todo aspecto prático ou funcional já nasce corrompido. Desta forma é nosso desejo falar do que é essencial, o que o princípio de uma Estação do Caminho.
Nós não temos metodologia ou fórmulas padrões e nem critérios de iniciação, nada disso. Toda forma servirá se fiéis ao Evangelho puro se simples estivermos. O que queremos é gente com a mente cativa ao Evangelho, sem medos ou ligações com o passado da religião sufocante, e que queira crescer em amor e no conhecimento experimental da Graça de Cristo. E que se sinta convocada a viver “fora do portão” – que é onde se tem que ir a fim de se “encontrar a Jesus” e os verdadeiros irmãos.
Nós não estamos preocupados com o fazer-fazer, mas sim com o SER. Entendemos que essa é nossa vocação mais essencial. E por isso, não queremos que ninguém se sinta na obrigação de fazer algo. Não há em nós, o interesse, como alguns pensam que há, de “abrir franquias” ou “filiais” do Caminho. Não! Não há mesmo! Entendemos que a coisa toda é natural e espontânea. E deve ser assim... Vai ser quando tiver que ser! Não dá pra forçar nada... Além disso, temos a convicção de que nada pode ser edificado do lado de fora que não seja fruto daquilo que nasceu como consciência dentro e tenha sido experimentado como verdade e vida. Assim é o Caminho!
Portanto, que se compreenda desde já, o Caminho da Graça é a jornada daqueles que carregam dentro de si o Caminho, a Verdade e a Vida. É no coração que a viagem verdadeira acontece! E para a saúde de todo aquele que crê e anda, saiba-se que não há como pisar e ser no chão de alguma “missão” sem que antes o Evangelho tenha entrado na vida e libertado a consciência para a conversão à Graça de Deus. Não há como multiplicar Graça e Vida se tal realidade não se instalar no indivíduo para além da informação. O Evangelho tem que entrar na vida... e produzir alguma coisa!
Nossa vocação mais essencial é “para ser” – sendo-indo-sendo! E nesse processo constante e dinâmico, em que a identidade e a missão se existencializam e se integram à vida, é que cada um se percebe um multiplicador da Palavra da Vida que o habita. Tal processo acontece como decorrência natural dos efeitos da Palavra Viva em nós, e, indo, passamos a “ser testemunhas” do Amor e da Graça de Deus! Portanto, reafirmamos que o que recebemos do Senhor, “antes de ser um chamado para fazer, é uma convocação para ser”!Bom, para fazer o Caminho conosco há todo um caminho a ser feito. E agora sim entrarei em questões mais conceituais, pois tentarei explicitar alguns detalhes do funcionamento de uma Estação.
O que é uma ESTAÇÃO? Uma Estação é um Caminho da Graça no sentido espiritual que carrega – ou seja, é sua mensagem. Não é uma franquia, nem uma denominação, nem uma filial. É o espaço comunitário onde se desenvolve todo o conceito “do Caminho” segundo se pode ler no site (www.caiofabio.com). E todas as Estações estão ligadas pelo mesmo espírito, e com a unidade de pensamento conforme o Evangelho que a muito temos ouvido da boca e nas palavras do pastor Caio - mentor do processo todo.
Ora, é importante entender que não somos um “lugar” enquanto manifestação física e geográfica do mero ajuntamento de pessoas, e nem, como representação legítima de onde Deus está. Mas, somos um lugar enquanto a simples manifestação existencial do ajuntamento de “gente-boa-de-Deus” que se reúne em torno de Jesus, e que entendeu que o Caminho da Graça é o caminho que todos fazem em Cristo no meio da existência. Portanto, esse ajuntamento é apenas uma ESTAÇÃO na jornada do viver. E é neste sentido, que o Caminho da Graça, enquanto uma realidade histórica, é uma IGREJA, pois aloja como ilustração e significado, a realidade da EKKLESIA no contexto neo-testamentário, que é a Assembléia dos Chamados PARA FORA!
O desafio para os que são de fato de Jesus, não é “montar igrejas” e sim “fazer discípulos” e isso, de todas as maneiras. Por isso, é hora de pregar a Palavra da Graça do Evangelho de Jesus. É hora de sermos de Jesus mesmo. É hora de mostrar que estamos levando o Evangelho a sério! Não há mais tempo. É hora de atacar. De agir. De convidar...! Somos chamados, Nele, para vivermos o Evangelho da Graça nesta geração!
Tendo, de fato e verdade, entendido o que digo... acredito que depois que o grupo base estiver bem afinado e com bastante consciência do significado do Caminho conforme o Evangelho, então, será hora de convidar outros amigos... De nenhuma forma construímos uma ESTAÇÃO. Não. Elas acontecem. E assim tem sido em todos os lugares. Portanto, o Caminho nascerá de forma natural, espontânea... “Sei que se fizermos assim, em poucos meses, seremos vários, e, logo depois, muitos. Mas no Caminho o ‘muitos’ vem sempre depois do ‘muito’. Em inglês eu diria que o ‘many’ vem depois de ‘much’. Muitos é quantidade. Muito é qualidade. Assim, é preciso crescer em much a fim de poder, sadiamente, crescer em many” (Caio Fábio).
E diante dessa Doce Revolução, a nós cabe apenas testificar o espírito do Evangelho presente e aí prestar todo nosso serviço para facilitar o intercâmbio e o avanço da pregação e da semente do Reino entre todos, bem como verificar se tudo é conforme a pregação que nos incentivou, e que está disponível no site todo.
Tendo dito tudo isso... alguns ainda nos perguntam: “As reuniões do Caminho são para todos? Quem pode participar de uma Estação?”. Ora, se você chegou até aqui e ainda não entendeu isso... Tentarei deixar mais claro ainda. Veja: em suma, a ESTAÇÃO é o “local de facilitação da pregação do Evangelho, um foco de disseminação, um endereço, no qual ocorrem encontros REGULARES, encontros que propiciam a ambiência para a Ceia, a imposição de mãos, a oração intercessória, a contribuição financeira, o bate-papo sobre a revelação da Palavra nas Escrituras e a convivência franca”. É simples assim...! Essa é nossa identidade essencial: ser conforme o EVANGELHO!
Nós somos um movimento comunitário de fé, ação social e ensino cristão que existe para anunciar que “Deus estava em Cristo, reconciliando consigo mesmo o mundo, e não considerando mais os pecados dos homens”. Portanto, numa Estação você encontrará o que Jesus encontrava pelo caminho – ou seja, GENTE! “Gente quase sem problemas. Gente com problemas. Gente com muitos problemas. Gente atolada em problemas. Gente-problema. Gente solucionadora de problemas apesar de serem perseguidos por problemas. Gente se casando. Gente que chegou descasada e se recasou. Gente que vivia traindo e parou de trair. Gente que ainda trai. Gente que se encara. Gente que mente e nunca se encara. Gente que muda. Gente que ouve, ouve, gosta, mas não muda. Gente madura. Gente infantil. Gente que entendeu. Gente que está entendendo... Gente que não entendeu nada ainda. Gente que vai lá e supostamente anda conosco por interesses de todas as ordens... Gente que logo vê que é vista em sua dissimulação. Gente que aceita a verdade. Gente que gosta de tudo até que a verdade as moleste. Enfim, gente é o que somos. Mas somos gente que prossegue desejosa de encontrar mais da Graça, a fim de aproveitá-la, mesmo que muitas vezes seja dolorido” (Caio Fábio).
Neste ponto, pode ser que você questione: “Quem irá conduzir essas pessoas? Existe o ofício de pastor?”. Diferente da igreja, no Caminho não há o ofício. No Caminho há a necessidade. No Caminho não há o CARGO, há o SERVIÇO que corresponde a uma necessidade que se concretiza. No Caminho só há irmãos... e seus dons. Quando falamos de mentoria, a entendemos como um serviço devotado a um grupo-sob-o-espírito-do-Caminho, prestado por aqueles que foram habilitados por Deus com dons de liderança em amor, planejamento e aptidão para ensinar, além da SERIEDADE COM A VIDA E DO CARÁTER PESSOAL prioritariamente evidentes nas descrições de Paulo.
É isso... Para todo aquele que deseja sinceramente caminhar junto, resta apenas “crer e andar”!!! Porém, com leveza e sem os excessos de pragmatismo técnico com tudo, e sem a ansiedade por formalizações.
É conforme o Evangelho que o “Caminho da Graça” está caminhando!
Vem e vê!
Caminho da Graça

segunda-feira, junho 09, 2008

A IMPOSIÇÃO DE MÃOS: uma rápida história e reflexão


Geralmente, quando se fica confinado ao espírito de submissão interpretativa em todas as coisas, corre-se o risco de se pensar que o mundo começa e termina onde estamos, freqüentamos ou pertencemos. Por exemplo, a “imposição de mãos”, acerca da qual os evangelhos sobejam em afirmações, aparece antes que neles, ainda no Velho Testamento, como expectativa relacionada à cura, apenas nas crenças de Naamã, o sírio, o qual esperava que sua cura incluísse um movimento de mãos sobre ele, como veremos adiante. Fora da alusão feita pelo pagão Naamã, ninguém mais menciona o assunto até Jesus aparecer. Portanto, mais uma vez tem-se que admitir que na Bíblia há muitas coisas que já faziam parte de crenças universais, mas que em Jesus ganharam o caráter de realidade instantânea e, portanto, empiricamente verificável de modo súbito. Identificar as origens da imposição de mãos é realizar longa viagem aos tempos imemoriais de indefinível distancia.


A imposição de mãos nasceu nas civilizações antigas, como um ritual das crenças primitivas. A agilidade das mãos sugeria a existência de poderes misteriosos, praticamente comprovados pelas ações cotidianas da fricção que acalmava a dor. As bênçãos paternas foram as primeiras manifestações típicas das imposições de mãos como transmissão do bem. No Antigo Testamento, em II Reis, encontramos a expectativa de Naamã: "...pensava eu que ele sairia a ter comigo, por-se-ia de pé, invocaria o nome do Senhor seu Deus, ‘moveria’ a mão sobre o lugar da lepra, e restauraria o leproso". Era, portanto, um homem distante da cultura religiosa de Israel quem associava o mover das mãos, à cura; e somente ele no Antigo Testamento faz tal alusão. Entretanto, na Caldéia e na Índia, os magos e brâmanes, respectivamente, buscavam curar pela aplicação do olhar, estimulando a letargia e o sono. No Egito, no templo da deusa Isis, as multidões ali acorriam, procurando o alívio dos sofrimentos junto aos sacerdotes, que lhes aplicavam a imposição das mãos. Dos egípcios, os gregos buscaram aprender as artes de curar. O historiador Heródoto destaca, em suas obras, os santuários que existiam nessa época para a realização das fricções com as mãos. Em Roma, se cria que a saúde poderia ser recuperada através de imposição de mãos. Hipócrates também falava de uma medicina que relacionava cura à imposição de mãos e aos sonhos. Depreendemos, a partir desses breves registros, que a crença na cura pela imposição de mãos era algo normal desde tempos antigos e que não se limitava à sua prática conforme se lê na Bíblia, especialmente no Novo Testamento.


Então, que diferença há na imposição de mãos praticada nos relatos dos evangelhos e do Novo Testamento, e os relatos de curas realizadas pela mesma prática? O episodio de Marcos seis, no qual aparece a história da admiração de Jesus com a incredulidade dos Seus conterrâneos em relação a Ele; incredulidade essa que fez com que ali em Nazaré Ele não pudesse fazer muitos sinais, exceto realizar alguns milagres pela imposição das mãos, bem ilustra duas realidade: o toque CARREGAVA a cura no caso das sensibilidades humanas estarem diminuida; a realidade da cura divina aumenta quando a alma se mostra aberta. Ou seja: a imposição de mãos, neste caso, aparece como uma espécie de brutalidade e total não-sutileza na pratica da cura, posto que, sem o recurso sensorial do toque das mãos, praticamente nenhum deles se despertaria para a possibilidade de receber o beneficio da restituição da saúde. No caso de Jesus, que curava a distancia, ou meramente com a palavra, embora pudesse também aplicar saliva nos olhos ou na língua dos doentes, ou mesmo fazer aquela ‘massa’ de terra com saliva, que aplicou nos olhos do cego de nascença — a imposição de mãos era quase como que uma total falta de sutileza, mas à qual Ele recorre, apenas porque sem sensorialidade certas mentes não se abrem para a fé que trás cura.


Assim, em minha opinião, há dois tipos de poder na imposição das mãos, e, em Jesus, foi o único momento nesta vida onde ambos se fundiram em plenitude: o natural e o sobrenatural; gerando o naturalsobrenatural.

Ora, do que estou falando? Hoje é mais que sabido que a mente em si mesma carrega poder. E tal poder não é pequeno, e se manifesta para o bem e para o mal. Há inúmeros estudos, desde há mais de quarenta anos, que mostram que o ato de impor as mãos com desejo de cura, deflagra um processo, na maioria das vezes lento, porém benéfico; e isto independentemente de tal imposição de mãos ter sido carrega de fé ou de ser simplesmente uma bondosa esperança em amor. Assim, se determina que pode haver troca natural de energia psíquica entre as pessoas, por várias vias, mas também pela imposição de mãos. Até aqui, entretanto, se está falando de algo natural, ainda que operando de modo psíquico. E afirmo isto também baseado no fato de que a humanidade inteira não creria nos benefícios da imposição de mãos, não tivesse tal beneficio sido verificado durante milênios.

Portanto, afirmo que creio num poder natural de curar, pela imposição de mãos; e, neste caso, o beneficio é fruto do toque carregado de amor e esperança de cura, o que beneficia quem impõe as mãos com amor, pois ama; e beneficia aquele que recebe a imposição das mãos, se a receber de modo grato e esperançoso. Entretanto, percebesse melhora; e tal melhora é sempre processual, quase nunca instantânea. Muitos, entretanto, não crêem que a mente seja mais que o cérebro, e, portanto, todas as manifestações do tipo definido acima, quando acontecem, ou são negadas pelos céticos; ou são afirmadas como “obra do diabo”, isto no caso dos crentes. Em geral crente não crê na mente. Tudo existe entre Deus e o diabo. Nesse caso, a imposição de mãos que aconteça sem a consciência carismática-cristã-pentecostal, e que produza algum resultado de cura, é sempre vista como manifestação do poder dissimulado e bonzinho do diabo através daquele que impôs as mãos. Eu, entretanto, tanto creio no poder da mente, como também no poder de manifestações espirituais. E mais: sei que impor as mãos com amor, sempre é benéfico e ajuda em todo processo de cura. E isto sem que necessariamente o praticante o faça como oração de cura. Também creio que além do poder da mente, há forças espirituais que podem se utilizar de tais manifestações para o bem ou para o mal. Entretanto, eu creio que tais forças espirituais somente se manifestam mediante a barganha que as pessoas façam com tais poderes. No entanto, o que vem de Deus, vem sempre de Graça e sem barganhas. Todavia, para que, por exemplo, uma imposição de mãos carregada de força maligna se faça transmitir para outra pessoa, alguma forma de consentimento tácito já se estabeleceu com aquele poder. Desse modo, há imposição de mãos cujos resultados são de natureza fenomenológica e estudável; bem como há a imposição de mãos cujos resultados são obtidos por intervenção espiritual, podendo ser boa ou má, independentemente do possível fato da cura acontecer. Ora, esse segundo tipo, em geral, não é de resultados processuais e lentos, como acontece com o fenômeno natural, mas sim intervenções que geram a cura súbita. Em Jesus o natural e o sobrenatural operavam em plenitude de poder; daí eu ter dito que Nele, e Nele somente, houve a fusão absoluta de ambas as dimensões, fazendo nascer o naturalsobrenatural. O naturalsobrenatural é a harmonia de todas as coisas. Assim, quando Jesus impunha as mãos, tanto a mais plena força humana e mental de poder se abria em direção ao sujeito-objeto da intervenção, como também Dele vazava o poder divino de curar até o impensável, e instantaneamente. Por esta razão é que conquanto Ele cure com soberania absoluta, todavia, se limita pela incredulidade dos de Nazaré, onde não pode realizar muitos sinais, senão umas poucas curas, realizadas pela brutalidade sensorial da imposição de mãos.


O interessante é que a imposição de mãos, em Jesus, não é algo mágico, mas apenas sensorial, simbólico, e inter-relacional; o que atingia a simplicidade da compreensão humana milenar de que a imposição das mãos poderia curar; e o que gerava SUSTO, é que as curas eram de toda sorte e instantâneas. Além disso, também a imposição de mãos, em Jesus, é a realidade mais básica do ato de curar. Isto porque, de fato, as maiores curas e milagres de Jesus não aconteceram mediante o toque, ou a imposição de mãos. Ao contrário, quando levanta o filho da viúva de Naim dos mortos, Ele apenas toca o caixão e fala ao morto, o qual ergueu-se. Também quando ressuscita Lázaro dentre os mortos, não há qualquer toque, mas apenas um chamado feito pela Sua palavra: Vem para fora! Estou escrevendo isto porque me parece que os discípulos já não impõem as mãos; e, quando o fazem, o fazem mecanicamente.


Meu desejo ao escrever esse rápido texto, é simples. Quero sugerir que levemos a sério o ato de tocar. E mais: quero afirmar que toda imposição de mãos feita em amor, move a vida na direção da saúde, sendo ou não uma oração formal. Além disso, digo também que no impor das mãos com consciência em fé e com amor deliberado e consciente, em tal gesto, há grande meio de Graça humana e divina de cura humana; sendo que tal, gesto praticado em amor humilde, tem em si a carga da graça que habita todo amor genuíno. No entanto, saiba que tudo é Graça, pois, que amor há no homem que não seja dom de Deus? E que cura pode nos alcançar para o bem, e sem barganhas, se não for tão somente Graça? Toda boa dádiva e todo dom perfeito vêm de Deus; descendo do Pai das Luzes, em quem não há mudança ou sombra de variação!

Nele, que é Aquele que cura pela fé que atua pelo amor,

Caio

QUAL É O PODER DO ÓLEO DA UNÇÃO




Mensagem da carta:

Meu amado pastor Caio, graça e paz de Jesus sobre tua vida, que tem sido uma bênção constante para mim. Tenho algumas dúvidas, que gostaria que o sr. respondesse, embora sei de suas dificuldades devido ao imenso volume.

ÓLEO DE UNÇÃO PARA DOENÇAS, EMPREGO E DIFICULDADES DE TODO TIPO: Na igreja que freqüento, há um culto em que o pastor e alguns diáconos ficam à frente do púlpito ungindo o povo, não só por doenças, mas também por desemprego e outros problemas. Há uma taça de prata e os irmãos colocam os pedidos de oração, que depois da oração, são queimados. Como não vi base bíblica para isso, nunca participei. Aliás, esse culto substituiu o culto de doutrina que o pr. anterior promovia, e o resultado foi o aumento na freqüência do povo, que em sua maioria está atrás de bênçãos. ÓLEO DE UNÇÃO PARA UNGIR A CASA: Os irmãos pedem que o pastor vá orar com eles em casa e se ele achar que há problema de ordem espiritual, unge os cômodos da casa com o óleo da unção. obs: esta igreja não é a IURD, mas uma igreja pertencente a uma grande denominação ligada à "renovação espiritual". SETE SEXTAS FEIRAS ATRÁS DE BÊNÇÃOS: Em outra igreja da mesma denominação, no mesmo bairro há o culto das SETE SEXTAS FEIRAS, onde os irmãos ou mesmo incrédulos fazem este voto com o objetivo de receberem principalmente a cura e diversas bênçãos materiais.
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Resposta:
Meu amado: Paz!

1. ÓLEO DE UNÇÃO PARA DOENÇAS, EMPREGO E DIFICULDADES DE TODO TIPO: A unção com óleo é bíblica. Os discípulos de Jesus ungiam com óleo os doentes (Marcos), e Tiago recomenda que assim seja. Quanto à taça poderia até ser como belo simbolismo, mas tem que ficar no simbolismo e não cair na mágica. O problema é quando o óleo passa a ser o agente fetichizado do poder, deixa de ser símbolo e passa a ser a “coisa poderosa”, em si mesma.

2. ÓLEO DE UNÇÃO PARA UNGIR A CASA: Jesus disse que ao se entrar numa casa, se deveria dizer: “Paz seja nesta casa”, pois, em havendo “um filho da paz” no lugar, a paz ficará sobre eles. Mas se é o óleo que “carrega” a virtude, é algo fetichista.

3. SETE SEXTAS FEIRAS ATRÁS DE BÊNÇÃOS: Aí já é uma novena, uma sete-na, e já é o culto à barganha com Deus. Se houver uma mecânica envolvida já é superstição, é a vitória da IURD sobre a fé que de uma vez por todas foi entregue aos santos. Se isto está lhe fazendo mal procure outra igreja. Mas não fique lá enchendo a paciência de ninguém. A linha entre o sadiamente bíblico e aquilo que é fetichismo espiritual é muito tênue e realmente fina.

Receba meu beijo. Nele, que é a Fonte de todo poder,

Caio

quinta-feira, maio 29, 2008

IV - UM NOVO TEMPO... APESAR DOS PESARES...

Na manhã do último dia em Fortaleza, nos reunimos para a Ceia do Senhor.

A Mesa estava típica, regionalizada, cearense, muito linda! Pois o pão não foi pão, foi tapioca. Como efeito decorativo, estava toda ornada com folhas e com o cocos, com frutos e frutas regionais, um sol gostoso e muito carinho entre todos.

Aquilo tudo me reportou para a atualização necessária no dia a dia da Caminhada e para a contextualização da jornada do Movimento, de sua trajetória comunitária, de sua revelância histórica e de sua Missão - temas que nortearam as Mensagens do Caio durante esses dias.

Sim, quem caminha sempre vê novas paisagens. Quem caminha, encara climas diferentes e estações em revezamento. Quem caminha, percebe a mudança de cenários. Quem caminha, anda. Vai adiante. Segue em frente. Sem olhar para trás. Mãos postas no arado. Pés que, inevitavelmente se sujam no percurso, contudo, a cabeça está sempre antecipadamente lavada pela Palavra! E caminhando assim, "se FAZ o Caminho!"

Contudo, conforme explicitado naquela manhã de Ceia (uma síntese das coisas já ditas) muitos de nós ainda estamos em velório, num sepultamento interminável. Enterramos os mortos o tempo inteiro, mas nunca lhes dando por ENTERRADOS!

Aí a Missão fica esperando. Fica esperando a gente parar de chorar o passado que tivemos, o procedimento no cristianismo, o zelo com tudo, a energia demandada, a prodigalidade com que sempre nos dedicamos à "igreja".

- "Vem e segue-me!"
- "Senhor, espera primeiro acabar essa cerimônia toda, estou preso aqui, chorando tudo que eu perdi para ganhar a Cristo!"

Isso vicia. Essa coisa toda de ficar remoendo a "igreja" vicia. A pessoa acaba pensando que o "Caminho" é isso: Viver em resposta a algo ou alguém! A mente fica presa em considerações infindáveis acerca do que passou, de como foi "saído" de onde estava, de como foi ferido, injustiçado, mal-compreendido. E fica aquele agasalhamento eterno, a glorificação do próprio martírio, como se martirizado tivesse sido. Temo que se alguém não tiver uma história de ruptura dramática com a "instituição" para contar como currículo, acabe por se sentir envergonhado diante da exaltação dos sofrimentos que os demais foram submetidos, quando julgados pelo "Sinédrio". Ora, feliz de quem vem sem cortar laços e sem marginalização; mais feliz ainda de quem vem sem o ingênuo pensamento de que saindo da coisa toda, ela - a coisa - automaticamente sai de você. Sim, porque ninguém foi tão vítima assim. Todo mundo que apanhou, também bateu! E, se como um pastor da Lei, você não matou ninguém, ao menos, sabe que deixou morrer...

Esse é o apelo, então: É tempo de deixar para trás o que ficou para trás, permitir que as velas se apaguem sozinhas e que os mortos sepultem seus próprios mortos, bastando a cada um de nós que simplesmente se SIGA adiante com Ele.

Há uma nova geração a ser alcançada: A Geração do Tempo do Fim. E se o "Caminho da Graça" só servir para desconstruir antigos alicerces de fundamentação religiosa, que sem graça será esse Caminho. A Geração do Fim demanda outros aplicativos... Tem outros requerimentos! São jovens. Não conhecem nossas canções. Estão fora do circuito religioso. Estão em Antioquia. São amigos de Cornélio. Cornélio está por aí... sem pertencer a nada que se proclame de Deus, e doido de vontade de se encontrar com Ele!

A Geração do Tempo do Fim está para além da nossa arena. Nossa luta não é contra carne ou sangue, mas contra o espírito do curso desse mundo apocalíptico, fragmentado apesar de globalizado; gélico e insensibilizado apesar do estado de ebulição ecológico; suicida apesar de cercado de bem estar; ignorante apesar de tanta informação; solitário apesar de uma incrível e crescente multidão.

Esse é o nosso mundo... "Quem tem mais do que devia ter, quase sempre se convence que não tem o bastante!" Nossa luta é contra Mamon, reinante no trono das ambições que nos enriquecem enquanto destrói terra, mar e ar! De fato, esses são dias desleais.

Essa geração tem a alma perdida depois de ter ganho o mundo inteiro. Tem toda ciência, tem dono o saber, tem todo o controle, mas lhes falta ALMA. A depressão é o mal desse século e só vai aumentar. Essa é a geração do Tempo do Fim. E há um Evangelho para o tempo do fim. E esse Evangelho será pregado em todo mundo, e então virá o FIM.

Agora veja: Se nossas proposituras caminhantes forem só respostinhas tolas às tolices de nossos "pais" e seu fútil legado, então, meus irmãos, será de futilidades que viveremos enquanto assistimos o mundo acabar! Daí, seremos como a "igreja", que existe para cuidar de sua própria existência e perpetuação bem sucedida nesse chão! Daí que, se for assim, "ainda somos os mesmos e vivemos como os nossos pais... "

Assim como aquela Ceia em Fortaleza, toda contextualizada com o presente momento, o Caminho só se faz no tempo presente! E só se faz para frente! O "caminhante" não é um maratonista e nem um super-corredor anabolizado. Não. O "caminhante" é um paralítico que foi curado, mas carrega a maca que o mantém cônscio de que ele só caminha porque encontrou-se com Jesus no Caminho. E um filho da Graça e da Compaixão de Jesus! É lógico que haverá tensões com a turba religiosa sempre! Porque, afinal, não se carrega a maca em dia de Sábado! Contudo, as tensões não são bilaterais. São uni-direcionadas. A gente "finge" que não viu, "finge" que não é com a gente e toca pra frente!

Aqui em Santos, um dia desses recebi um recado do presidente do Conselho de Pastores da Baixada Santista: "Avise o Marcelo que vou aparecer por lá de SURPRESA!" Tadinho, ele vem me pegar. Vem defender Deus! Vem me impor resistência bem na hora em que eu estiver talvez sacrificando uma criancinha ou, quem sabe, chutando um velhinho durante uma reunião do Caminho! Sim, é assim que ele pensa que é. Ele vai chegar metendo o pé na porta e vai sair com os pés lavados! E só.

Hora de seguir adiante. Sem choro nem vela. Os mortos enterram a si próprios! Os vivos levantam e andam! Nossa autoridade não é da irreprensibilidade; e a autoridade de quem foi perdoado: "Levanta, toma o teu leito e anda!"

Acabou o "Caminho" como mensagem-resposta! A Mensagem é uma Proposta! Digo isso, porque receio que alguns de nós não conheçam a Mensagem senão somente em resposta à religião. Temo que, ao terminar os embates, a gente não tenha o que dizer!
As produções da reatividade são legítimas e necessárias sim! (vide Paulo). Contudo, a reação é uma fase, uma ocorrência, uma necessidade imediata, circunstancializada e correspondente. A reação é boa, carrega princípios em seu bojo; é sinal de vida e não de amargura. A não ser que a vida se resuma ás reações! Aí, endurecemos e perdemos a ternura!

As reações são tão legítimas quando as ações. Mas "uma coisa é uma coisa, e outra coisa é outra coisa"!

Olha em Paulo como a reação produz para a Vida! Perceba Gálatas! "Quem vos seduziu?" Quem foram os "cães, falsos apóstolos, obreiros fraudulentos?", "Quem dera se castrassem os que vos incitam à 'justiça própria', à confiança em si mesmos, na carne!"... "Quem dera se mutilassem!" Sinta o espírito das cartas pastorais! É só reação! Veja a reação às proposituras coríntias: "Quanto ao que me escrevestes...", "... me foi comunicado pelos da casa de Cloé...", "Antes de tudo ouço que quando vos reunis...". "Ora, no tocante a..."; "Geralmente se ouve que há entre vós..."; "Fui insensato em gloriar-me, mas vós me contrangestes."...

A resposta é parte da proposta, não é a proposta em si.

A proposta é Romanos, a proposta é Efésios! A proposta está embutida em cada parábola, em cada encontro de Jesus nas narrativas dos evangelhos.

A proposta é pró-ativa, não é reativa!

A proposta é antes da fundação do mundo! A proposta diz respeito a toda alma, em todo e qualquer contexto, sobre qualquer tempo ou geração. É para todas as gerações! A proposta é para Hoje! Hoje é dia de salvação.

Sei que nem todos entenderão. Mas quem tem ouvidos para ouvir, ouça a Voz: "Vêm!"


***

Naquela manhã, o Fonseca cantou "Caminhando e cantando...Vem, vamos embora... Pelos campos há fome... Em grandes plantações. Os amores na mente. As flores no chão. A certeza na frente. A história na mão...Aprendendo e ensinando uma nova lição."

Ceiamos e fomos embora. De volta para casa.


Marcelo Quintela

sábado, maio 24, 2008

AS PRODUÇÕES DO CAMINHO DA GRAÇA

"Não é para viver de adventos fenomenológicos,
Mas do pão nosso de cada dia!"

Produzir: 1. Dar nascimento ou origem a; criar. 2. Fazer aparecer, originar. 3. Apresentar, exibir. 4. Causar. 5. Render. 6. Fabricar. 7. Ser fértil
(o bom e velho AURÉLIO).


O "Caminho da Graça" é um testemunho. Há muitos outros. Muitos. Todos procurando um "lugar ao sol" onde possam se fazer ouvir. Daí surgem as produções, as nominações e as tipificações de cada um, de cada grupo.

Em primeiro lugar, deve-se lembrar que o Caminho da Graça que a gente pode PRODUZIR não vale tanto a pena. Quero dizer, não valerá a pena transforma-se numa agência de eventos com uma agenda de atividades como "produção".

O Caminho da Graça que vale a pena é aquele que PRODUZ em nós! Que produz em nós para a Vida. É o caminho da internalização da Graça de Deus em nós, é o caminho do Entendimento Espiritual da incondicionalidade do Amor e do Perdão do Pai. E essa produção continua subjetiva, existencial, relacional, num fluxo de exposição que vaza de dentro para fora do ser, e nunca o contrário.

O melhor Caminho da Graça é aquele que chama de produção, serviço, mobilização e estruturação tudo que se pode realizar na realidade do cotidiano e não nas encenações do nosso ritual comunitário de amor-com-hora-marcada. Nas relações extra-templos, sem agenda pré-definida, mas segundo o próprio curso da vida em suas idas e vindas, e em seu cruzamento com toda gente na secularidade é que se faz o Caminho, é que se produz e se realiza.

O "Caminho" não será uma "igreja de programas", nem nada parecido com isso. O "Caminho" não existe a partir de seus Encontros, o "Caminho" existe, e ocasionalmente, desemboca esse existir num Encontro, numa Estação, numa caminhada organizada, numa co-existência mais programática, pragmática, precisa, etc.

E por que esse tema agora?

Ora, porque à medida que a gama de missões externas vai se ampliando a partir de nós e nossas iniciativas como grupo, diminuem, na mesma proporção, as missões internas, o cuidado devocional com a alma em relação a Deus e a solitude necessária como produtiva disciplina espiritual. E não demora, então, para estarmos vivendo a ansiedade da manutenção de tudo, da oferta de incessantes eventos especiais, e carregando no enganado coração carregado a sensação de estarmos fazendo a "obra de Deus", quando só estamos promovendo nosso emblema e patrocinando nossos próprios entretenimentos.

Tudo isso advém do legado das práticas da insegurança que precisavam provideenciar que todo mundo estivesse ocupado com a agenda interna, vivendo num clima de gincana infinita, a fim de manter a coisa viva e as pessoas na "pilha" o tempo inteiro, para que elas se sentissem parte do espetáculo e fossem absorvidas pelas tensões e tesões do gueto, num anestesiante comportamento de fuga da vida.

Tudo isso me lembra muito os "avivamentos de retiro". Sim, falo daquela euforia espirituóide que acaba antes das malas estarem desfeitas. Estou falando daquela elevação de espírito pós-acampamento que dura até que a segunda-feira mostre suas garras!

Como se preservar das "fórmulas" de crescimento? Como ser operacional sem deixar de ser relacional? Como se guardar desse in-fluxo, enquanto estamos crescendo como Movimento de Consciência e Relacionamento, com cuidados pastorais?

Alguns conselhos que foram expostos em Fortaleza, e aqui condensados, são esses:

1) Não ser impressionável: Não é o tamanho do grupo, mas o significado do Encontro que vale. No dia que começarmos a nos preocupar com idolatrias numéricas, estatísticas e censos, atividades e ênfases que geram espírito de competição e não de fé; nesse dia, creiam, começamos a falir.

2) Não perder o espírito hebreu, caminhante, peregrino e forasteiro, que caminha sem a prerrogativa de controlar NADA, numa impotência maravilhosa e bem-vinda, que gera dependência de Deus e a manifestação do Seu poder.

3) Não se deixar pervair de um espírito acadêmico. Quase sempre a comunidade que cresce, fica besta, fica cult, auto-centrada, cerebral demais e cada vez menos crente na possibilidade dos impossíveis dos homens serem possíveis para Deus. De repente, já não se crê mais em milagres e em intervenções de Deus. Então, é necessário manter viva a expectativa da Graça Viva... Gente que diz que crê na ressurreição de Jesus, crê em tudo o mais! Deus está livre hoje para fazer o que desejar! É preciso, portanto, ousadia no Espírito Santo para orar sem temer o ridículo! Cada um de nós tem a liberdade para orar, crer e esperar, e animar a fé dos irmãos, tendo a cura como consolação ou a consolação como cura!

5) Apascentar o rebanho de Deus que está entre nós com cuidado, não por obrigação ou ofício, mas voluntariamente, por amor, evitando o pastoreio do constrangimento, da coação, da amargura por ser forçado, remunerado! E ainda, não motivado por ambição ou ganância, mas de toda boa vontade; não como dominadores dos que nos foram confiados, mas servindo de modelo ao rebanho.

5.1.) Quem quiser conduzir gente do Caminho e no Caminho, deve-se lembrar sempre dos sofrimentos de Cristo Jesus, que quando caluniado não caluniava, e quando injuriado, calava-se! Deve-se lembrar que é normal ser traído e ser deixado, e ser negado, e ser usado. Deve abrir mão de melindramentos, de direitos, de bem-estar, de reconhecimentos, de processos públicos de vitimização de si próprio, não tendo em si mesmo a medida de tudo e nem sendo o limite de coisa alguma.

5.2.) Quem quiser conduzir gente do Caminho e no Caminho, deve estar consciente da Esperança da Glória e viver sobre esses dois pilares propostos por Pedro: sofrimento e glória. Como é com o Mestre assim será com os Seus discípulos, sempre. A coroa da Glória ofertada pelo Supremo Pastor não é para esse tempo e nem para esse mundo. A Glória é do Porvir. E "entre nós, não será assim", conforme o curso desse mundo, segundo a ética dos que governam os sistemas sobre a Terra, que lideram para serem servidos. "Entre nós, o maior seja o que mais serve". Reconhecimento e Glória estão adiados até o Tempo oportuno, quando o tempo não mais existir! Pedro a designou "coroa imarscecível". Ora, vem Senhor Jesus!

***

Assim, ninguém se envolverá de novo com as "coisas de Deus" em detrimento do "Deus de todas as coisas", nas funcionalidades que só servem para manutenção de seu próprio circo, em estratagemas que só se operam para "tocar o barco", com calendários de eventos anuais fixos e pré-determinados, sem sua correspondente demanda e senso de ocasião.

Antes do ativismo, há de se descansar aos pés do Mestre. Essa é a melhor parte. E por tentação nenhuma de crescimento institucional, ela nos será tirada; pois pouco é necessário nessa Jornada! Louvado seja o nome do Senhor!

Nesse sentido, toda hora alguém me pergunta: Quando vai ser o Encontro do ano que vem? Onde será o próximo evento nacional do Caminho? Irmãos amados, o encontro não é um evento do calendário anual litúrgico do Caminho da Graça. Os Encontros são organizados em função da pertinência e da necessidade. Sua geografia não é fixa e a escolha da região obedece critérios circunstanciais importantes para determinado momento. (E o nome é Encontro sei lá eu por que! Podia ser confraternização, retiro, conferência, reunião, etc. Talvez seja "Encontro" só porque é um encontro mesmo, assim como o diácono na igreja primitiva era chamado diakonos só porque ele era mesmo aquele que serve, o garçom!) O que importa é que os Encontros correspondem ao apelo de centenas de amigos distantes e unidos pela virtualidade que em dias como esses de Fortaleza podem então se abraçar, orar juntos, congregar-se, compartilhar, comungar em unidade de fé, ouvir, aprender e ensinar...

Ah! E dançar!

Assim, não produza nada no Caminho que não seja produção do Caminho em você!

É um conselho e um desafio.


Marcelo Quintela
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O Caminho é uma pessoa e seu nome é Jesus!
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quarta-feira, maio 21, 2008

DO CAMINHO DA GRAÇA E SEUS "INIMIGOS" - A Síndrome de Jonas

Gente querida, pretendo sintetizar, conforme meu próprio entendimento e lembrança de tudo, as ênfases levantadas no Encontro Nacional do Caminho da Graça em Fortaleza (CE) - 2008:

I - Do Caminho da Graça e seus "inimigos" - A Síndrome de Jonas
II - Do Caminho da Graça e seus "amigos" - Do Salmo 137 ao 133: Um difícil caminho!
III - O que de melhor o Caminho pode produzir?
IV - Um novo tempo, apesar dos pesares...

Convido-os à reflexão e aos acréscimos necessários.

Abaixo, o primeiro deles.


DO CAMINHO DA GRAÇA E SEUS "INIMIGOS" - A Síndrome de Jonas


Passados esses três anos iniciais - onde o Caminho da Graça se estabeleceu como um "testemunho", um pólo divulgador do Evangelho, um foco de disseminação da Mensagem a partir do site, dos materiais de mídia e literatura, e por meio das suas Estações, núcleos comunitários terapêuticos de ensino e estímulo à convivência fraterna e à troca de dons - hoje novos contextos surgem em resposta ao Movimento.

À medida que a Mensagem apregoada tem se expandido e encontrado eco para todo lado, tanto rendições sinceras a ela como fortes oposições têm ocorrido nos últimos tempos. E a maioria das acusações e beligerâncias antes direcionadas mais especialmente para a pessoa e o ministério de Caio Fábio, hoje, por outra lado, crescem na direção de todo o "Caminho da Graça", agora que, tendo partido de um portal virtual, Deus providenciou um Caminho real e historicamente visível.

Daí, então, que do Caminho da Graça se ouvem e se ouvirão cada vez mais muitas histórias e estórias (a maioria delas coisas que nem nós sabíamos, aliás!). A leviandade com que tudo é dito e articulado tem a óbvia intenção de calar os mensageiros e silenciar a Mensagem, que provoca o status operandi da cultura cristã estabelecida, bastando para fazê-lo que simplesmente se pregue o Evangelho conforme Ele é!

Bom, toda essa conjuntura ora apresentada, pode perverter o espírito da caminhada, pois tal caminhada não implica de modo algum em gastar-se na dinâmica do revide e da refutação, e nem em formas de proteção à reputação. Daí a necessidade de muito cuidado com o coração, pois ninguém fará mal ao Caminho da Graça a não ser nós mesmos, se formos tomados pela Síndrome de Jonas, o profeta.

Senão, vejam:

Posições ideológicas, embates constantes, melindres diante de acusações e tolices, inimizades em acentuamento, beligerâncias abertas, antipatias crônicas, traumas histórico-institucionais, memórias de amargura nas relações fraternas de outrora podem nos levar para um caminho contrário ao Chamado, em rota de colisão com o Amor de Deus!

De fato, o "Caminho" quer que a "igreja" experimente arrependimento de sua opulência ninivita, de seu triunfalismo assírio, da ufania de suas riquezas, da opressão que seu domínio exerce sobre mentes conquistadas e do seu pendor para o "imperialismo" institucionalizado.

Mas se seu irmãozinho evangélico se tornar uma espécie de ninivita para você, o Evangelho não foi construído em você e suas defesas denominacionais são maiores que seu Chamado a apregoar à Boa Nova do Reino a todos e em todos os lugares, já que pela Cruz, Ele derrubou os muros de separação, e de todos os povos, fez um!

Sendo mais claro: Se você deseja que a "igreja" se dê mal e "quebre a cara" só para a tua profecia se cumprir, só para você não ser desmentido e seus vaticínios se concretizarem, então, meu caro Jonas-Caminhante, você se encontrará com a força do amor de Deus na direção dos teus "inimigos" e contra você, e as algas se enrolaram em tua cabeça!

E tem mais: Nínive pode ser restaurada e convertida (por essa você não esperava, né?). Entretanto, se os "ninivitas" (qualquer um que, existencialmente, ocupe esse predicado para você) precisarem ser como você para serem de Deus, se eles tiverem que se tornar em "judeus" como você, freqüentarem a sinagoga com você, renegarem sua origem e migrarem para a geografia da tua própria espiritualidade e, enfim, adorar a Deus conforme você, então saiba: Deus converte ninivitas e os mantém em Nínive, sem aculturamentos e sem rendições à Jerusalém! Deus tem misericórdia de ninivitas e você está propenso a só se preocupar com a erva e com a larvinha que a consome, em mediocridade ideológica! Pense a respeito e pare com isso!

Só o que pode impedir de isso aqui virar aquilo que nós odiamos é nossa disposição interior de se questionar sempre e responder com amor, perdão, misericórdia e graça, servindo a todo homem em Cristo.


À Missão!


Marcelo Quintela

www.caminhoemsantos.blogspot.com
Comentário de Ivo Fernandes
Querido Marcelo,
Que maravilha relembrar isso, trazer a mente de novo esta Palavra. Esses dias orei muito para que o Senhor conservasse meu coração livre das raízes de amargura, dos sentimentos auto-justificados de vingança, ou de qualquer desejo que fosse contra quem quer que seja.
Desejo de verdade para mim e para o Caminho da Graça uma caminhada semelhante a do nosso Mestre. Que nosso corações e mentes estejam voltados para o Mistério, envolvidos na Graça, cheios do Amor. Que jamais nos tornemos gente da palavra humana que bem articula coisas sobre Deus, mas que sejamos realmente Filhos da Palavra da Vida.
Agradeço a Deus por toda exortação que nos edifica para a Vida.
Que assim seja o nosso caminhar!
Em Cristo que derrubou os muros de separação