segunda-feira, outubro 29, 2007

SOBRE A CAUSA HOMOSSEXUAL, A JUSTIÇA DE DEUS E AS BANDEIRAS DA IGREJA

"Sobre a vida que não vivi;
Sobre a morte que não morri;
Sobre a morte de outro, a vida de outro,
Minha alma arrisco eternamente."

I

O inferno para qual mandam os homossexuais é o mesmo no qual habitarão todos os chamados "injustos", conforme I Coríntios 6.

Sim, "não herdarão o Reino": os impuros (sabe aquele pessoal que se contamina com tudo que sai de dentro de si mesmo?), os adoradores de outros deuses (sejam os que adoram as figuras do panteão romano ou hindu, sejam os que idolatram Mamom - deus da mais “afortunada” teologia evangélica), os adúlteros (aqueles que mesmo “ao olharem para uma mulher com intenção impura no coração já adulteraram com ela"), além dos que roubam – os trapaceiros e oportunistas, dos que maldizem despudoradamente, dos que se embriagam e se entregam aos excessos, dos que cobiçam e não repartem (melhor escrever assim, porque o termo 'avarento' ninguém admite, ninguém o é, até porque a avareza também cega a percepção de quem só vê o umbigo...), e claro, puxando a fila, os gays, lésbicas e simpatizantes! – numa verdadeira marcha rumo a justa condenação!

Percebam que essa relação de Paulo contém os "tipos existenciais" presentes na sociedade de Corinto. Hoje, muito provavelmente, o escritor inspirado incluiria pedófilos e corruptos – execrados contemporâneos - no mesmo time de praticantes da injustiça contra a alma humana e contra a criação divina. Os coríntios são maquetes das doenças dos homens. São arquétipos da Queda, eles são a escalação da nossa feiúra. São símbolos de tudo que existe dentro de nós, ao menos em potencial. E a igreja de Corinto é uma representação do que acontece com a experiência comunitária quando o direito ao juízo se arvora como bandeira vergonhosa, quando o senso de justiça produz personalidades melindradas e relações litigiosas entre irmãos intolerantes, que para se proteger do dano sofrido o devolvem num toma-lá-da-cá que só vai aumentando. Quando o juízo triunfa, a beligerância cresce, para desapontamento do apóstolo (Leia como Paulo introduz o assunto dos “injustos sem herança” desde o primeiro verso desse capítulo seis e você entenderá).

Esses tais que Paulo descreve e adverte com tiradas irônicas são os mesmos que ele chama de "injustos", segundo o polêmico texto (Texto eleito como um dos estandartes fundamentalistas contra o ativismo gay, mas que podia muito bem também servir para puxar o coro contra o individualismo pós-moderno, por exemplo, pois os não-generosos estão no mesmo barco paulino rumo à perdição!).

Bom...

Tais in-justos... os não-justos... ficarão de fora junto com "os cães, feiticeiros, os adúlteros, os assassinos" e todo esse pessoal da pesada, conforme acrescenta Apocalipse 22.

Injustos – segundo o espírito do Evangelho de Paulo - são todos os que não foram justificados, pois justo MESMO ninguém é... Não há UM sequer!

Não é?

Os injustos são os que foram convidados para a Festa, mas não quiseram ir.
São também representados pelo convidado que foi, mas não se vestiu da Justiça do Anfitrião - achando que se bancava na “carteirada”!
Injusto é quem não volta justificado para sua casa, mesmo depois da oração-currículo-comparação (Lucas 18. 9-14).
Injusto é o cara que dá graças a Deus de "não ser como esse outro!"

II

Meus irmãos, vocês não conseguem enxergar que o versículo selecionado como uma base legal do julgamento moral dos atos homossexuais é o mesmo que nos condena a todos - a não ser que TODOS se encontrem "lavados... santificados... e justificados em nome do Senhor Jesus, e pelo Espírito do nosso Deus"? – conforme o mesmo texto?
Não sabem que todos pecaram e todos estão carentes até que estejam sob cobertura do Sangue Daquele que tira o pecado do mundo? Não percebem que ninguém foi aprovado?
Amigos, eu não estou atenuando pecados, ao contrário, estou expondo-os: Homossexuais precisam parar com essa viadagem como eu preciso parar de mentir, de enrolar, de brigar pelo poder, de idolatrar a grana, de tirar do outro o que é dele ou cobiçar-lhe a mulher gostosa!
É simples: Quem olhou de lado para uma mulher vai pro mesmo inferno que aqueles que se deitaram com um homem! Você não vê que o que Paulo está dizendo é que todos nós estamos fora até que Alguém nos ponha para dentro? Daí os injustos não herdarem o Reino; pois "ninguém será justificado diante Dele" (Rm.3.20) com justiça própria. E quem não é por Ele justificado, morrerá em seus pecados.

Do ponto de vista do Evangelho, portanto, os justos não são justos, eles são ímpios agora justificados. São ramos enxertados, são filhos adotados, são ovelhas de outro pasto, são salvos pelo "gongo": "Hoje mesmo estarás comigo no Paraíso!!!"

Mas quem pode agüentar o escândalo de Amor que se vislumbra nos encontros humanos com um Salvador que justifica ímpios, embora não recompense hipócritas??? Que "filho mais velho" a de suportar as "injustas" parábolas da Graça sem espernear, já que a “felicidade” dele depende da não-aceitação do outro no mesmo seio paterno, pois ele só se concebe justo e merecedor do amor e da herança visto "nunca ter transgredido um só dos mandamentos!" Segundo o filho fundamentalista, felicidade maior do que ir para o céu, e ir sem que "esse outro teu filho" vá! Em paralelo, os "justos" da religião gozam com a condenação dos "ímpios" que gozaram com a vida enquanto os primeiros se reprimiam!


III
A conversão de Sodoma

Sim, mas nas narrativas dos evangelhos tais ímpios salvos se arrependeram, irmão Marcelo? - alguém dirá.

É verdade! Lógico! A questão não é essa. A questão é: Como se arrependeram? Qual a jornada rumo ao arrependimento empreendida por publicanos, meretrizes e pecadores que O cercavam?

Faça um exercício de mínima acuidade textual... Volta lá e procura uma única narrativa na qual eles se arrependeram antes de terem sido amados, antes de terem sido alvejados pelo Amor Incondicional do Deus Encarnado, antes de terem sido por Ele acolhidos, reconciliados, chamados e servidos! Sim, mostra um único texto onde Ele não nos amou primeiro! Mostra um!

"Eu não me arrependo para ser perdoado, eu me arrependo porque fui perdoado!" O arrependimento só se faz possível porque há perdão disponível! Isso é claro como a luz do sol, mas quem pode olhar para ele?

Quem, em "sã" consciência religiosa, pode suportar tal "heresia"?

É por isso que as próximas manifestações do Amor de Deus na Terra serão clandestinas à igreja que O representa! O Evangelho crescerá à margem porque a igreja provou-se excessivamente “justa”: Quando chama, ameaça; quando recebe, segrega; quando converte, clona; e quando santifica, infla o indivíduo de si próprio! Daí cruzarem os mares para fazer um prosélito e o tornarem duas vezes mais merecedor do inferno; pois agora ao pecado comportamental juntou-se o cinismo e a hipocrisia religiosa!

Por isso, percebo com pesar que aqueles que mandam descer fogo do céu sobre os homossexuais não sabem de que espírito são!

O Filho do Homem veio salvar, ainda. Veio buscar a mim e a eles, visto sermos todos iguais. Os segredos dos corações dos homens ainda não foram revelados e a História ainda não acabou; contudo a "igreja" impôs-se a incumbência de passar o restante dela julgando preventivamente, querendo administrar o caos, nominar-se trigo, classificar o joio, organizar a Queda.

Sinceramente, penso que a cristandade segue aperfeiçoando sua “herança romano-puritana” de domar genitálias alheias, como quem circuncida gentios para apresentá-los diante da Santa Grei em Jerusalém, a fim de torná-los palatáveis dentro de nossas Sinagogas Cristãs...

Mas Deus não precisa da igreja. Aleluia! Deus não é doido!

O fator Melquisedeque está em operação: zaqueus, levis, madalenas, pedros, ladrões e até nicodemos da vida são atraídos pelo Perdão que dá herança nos Céus e não pela ameaça do fogo do Inferno.
Jesus não faz a Pedagogia do Terror! E toda vez que se aproxima dela e na direção do pessoal da “carteirada” ou é para dizer que haverá menor juízo para sodomitas do que para as cidades abrâmicas que testemunharam o amor de Deus e não se curvaram sobre Seus pés e nem O lavaram com lágrimas! Porque se aqueles des-graçados de Gomorra tivessem tido a experiência da Dádiva desmetida em Jesus, há muito já teriam se convertido!!!!

Então, saibam todos: milagres serão realizados em Sodoma, sinais acontecerão em Gomorra! E então virá o fim!

Aí muitos e muitos e muitos virão do Ocidente e do Oriente e sentar-se-ão à Mesa com Abraão, Isaque e Jacó!!!

IV
Nossa Bandeira também tem muitas cores!

E se eu e você quisermos participar desse derramamento do Espírito sobre toda carne, é melhor mudar o coração; e ao contrário de sair em defesa de Deus por que não sair às ruas com Deus?

Proponho o fim de toda bandeira cristã! Alguém já disse que aqueles que estão crucificados não têm mãos disponíveis para levantar bandeiras!

Não temos bandeiras a não ser o Evangelho!

Nossa bandeira é a Reconciliação. Esse é nosso ministério, isto é, "Deus estava em Cristo reconciliando consigo mesmo o mundo, não imputando aos homens os seus pecados, e nos confiou a Palavra da Reconciliação. De modo que somos Embaixadores da parte de Cristo, como se Deus por nós rogasse ao mundo...: Reconciliem-se comigo! [Isso é possível, porque] ... Aquele que não conheceu pecado, Ele o fez pecado por nós, para que Nele fôssemos feitos justiça de Deus!"

Quem entendeu, entendeu; quem não entendeu, distorça tudo!

"... o Seu estandarte sobre mim é o amor!" Cantares 2.4


V
A Embaixada da Reconciliação e a Utopia do Evangelho

“A gente espera do mundo e o mundo espera de nós um pouco mais de paciência!”

Sugiro mudar a pauta, então. Mudar o tom. Mudar o discurso. Abaixar as mãos.
Todos fomos flagrados em falta!
Sugiro, então, o abraço ao diferente, a amor ao "torto", o acolhimento do equivocado, a inclusão da turba marginalizada em quase dois mil anos de uma igreja preocupada em fazer justiça. Nem a gente se agüenta mais... Vamos virar a página!

Sugiro que os mais des-graçados sejam os mais abraçados!
Sugiro que larguemos as pedras da intolerância e a linguagem da ufania!
Sugiro que pitbulls da severidade e poodles raivosos abandonem a arena...
Sugiro que o ranger dos dentes ativistas dê lugar a um simples sorriso de paz!
Sugiro que ao corpo se dê um pouco mais de alma! Sugiro a Calma.

Sugiro o final do juízo até que ele comece.

Suplico que os discípulos de Jesus sigam Jesus!
E não per-sigam seus semelhantes tão distintamente semelhantes.
E amem o mundo até o limite do insuportável!
E amem o mundo até o mundo odiar o amor!
E amem o mundo até brilhar o SOL DA JUSTIÇA! - A "justiça" que vem pela fé no Filho de Deus!


Arrisquem-se, pelo Amor de Deus!

Vamos precisar de todo mundo!

Amar não nos tornará cúmplices de ninguém e de nada!

Deus é amor!

"(...) toda Terra se encherá da Glória do Senhor, como as águas cobrem o mar.
Naquele dia, as nações perguntarão pela raiz de Jessé, posta por Estandarte dos Povos, e o lugar do seu repouso será glorioso!"
Isaías 11.9-10


Marcelo Quintela

domingo, outubro 28, 2007

Carta

Paz e graça
Caro Henrique devido ao grande número de trabalhos de faculdade da Adriana nossa mentora digamos assim estamos dando um tempo para ela se atualizar e assim que retornarmos, marcaremos esse encontro.
abraços
Aproveitando a oportunidade, conheci um cara prefiro não citar nome, que foi ao encontro no sítio que vocês fizeram esses dias, ele me passou que sobre o tema da homoxessualidade vcs consideram que se for por amor, tudo é válido, ele não entendeu errado?

Resposta

Amado Paulo, Vida e Alegria!

Desde já, agradeço pelo retorno.

Acerca do convite para o encontro, continuamos à sua disposição, basta contatar-nos. Espero que a Adriana resolva bem essa “pendenga”, sei bem o que é isso, e o quanto me afeta.

Sobre o tal cara que você conheceu, que participou da Confraternização, quero apenas fazer uma pequena indagação: foi apenas sobre isso que ele comentou contigo? Espero que não, pois seria um reducionismo “daqueles”. Espero, sinceramente, que ele tenha podido narrar experiências edificantes, coisas que transcendem em muito um mero acúmulo de conhecimento, debate, argumentação teológica, opiniões pessoais e coisas afins.

Aliás, antes que eu me esqueça, vale um outro convite: no dia 10/11, um sábado, estaremos participando de um “junta”, uma espécie de “ressaca” da Confraternização. Será num sítio em Igarapé, onde passaremos o dia em comunhão. Você é nosso convidado, e o convite se estende aos seus amigos, conhecidos, colegas, parentes, etc... Caso queira, peço-lhe a gentileza de contatar-nos, afim de que nos programemos sobre carona, comida, esse tipo de coisa.
Homossexualidade é um verdadeiro “tabu”, no sentido tanto freudiano (Totem e Tabu, um clássico bem pertinente) quanto antropológico mesmo, principalmente no contexto da religiosidade.

Poderia indicar inúmeras obras solidamente embasadas sobre o tema, principalmente dentro da minha “praia” (ciências sociais), mas optarei por não fazê-lo.

Poderia realizar algumas “viagens” históricas no afã de uma comparação histórico-cultural, tão comum e fácil de se fazer, que lançam alguma luz sobre a “temática”.

Outrossim poderia indicar o próprio site do Pr. Caio Fábio, o qual, como você deve ter ciência, está repleto de textos, artigos, cartas relacionadas ao tema, sempre com a perspicácia e lucidez que são peculiares ao Caio.

A razão de não adotar estas vias é muito simples: o espírito do Evangelho, tal qual não apenas anunciado e pronunciado, mas visceralmente encarnado por Jesus, nos remete a uma postura que não pode deixar pairar dúvidas sobre a nosso olhar a ser adotado. Não falarei de uma visão racionalizada, mas, sim, simplesmente empírica. Pra mim, ela bastou, basta e bastará sempre!

Assim, você não verá aqui nenhum tom apologético, apaixonado (no pior sentido do termo – leia-se mesmo ensandecido) em relação ao tema. O que acontece é que somos submissos ao Evangelho, que – Graças a Deus -, é infinitamente maior do que os opinólogos de plantão. É no espírito Dele, e não na logicidade duplamente mortal - mortal para o outro e para si mesmo – da Lei, do “está escrito”, que ousamos caminhar. Não caminharemos sob o jugo de uma lógica estrutural, como diria Erving Goffman, que nos remete à noção, infelizmente tão recorrente, de algo mais ou menos assim: “morra o homem, e viva a Lei”. Não!

Só que cometemos, inconscientemente, o triste engano de pensarmos que Lei é coisa exclusiva de legalistas. Não o é! Quem dera assim o fosse!

Sua pergunta traz em seu bojo uma ponderação que merece ser pensada: o amor pode tudo? Eu indagaria: mas o que vem a ser esse “tudo”? Agostinho de Hipona já dizia, numa frase tão citada quanto distorcida em seu sentido original: “Ame e faze o que quiseres”.

Quando você pergunta “tudo”, provavelmente se refira ao ato sexual com alguém do mesmo sexo. Estou correto?

“Interessante” – leia-se mesmo “curioso” - é o fato de associar amor a performatividade sexual, e sexualidade a ato sexual. Que tristeza!

Michel Foucault já postulava ser nossa sociedade ocidental eminentemente “sexocêntrica”. Concordo plenamente com ele.

Preocupamos-nos muito com o comportamento sexual do outro, além de nos angustiarmos com o nosso próprio padrão.
Cumpre uma pergunta fatídica: por que definir o que alguém é simplesmente pelo que ele faz (ou já fez, ou gostaria de fazer, e por aí vai) na cama, mato, chão, etc.., e com quem faz? (use a imaginação). Que definidor identitário é esse? E por que justamente ele?

Por que isso tem a ver com o fato de que eu e minha mulher, tendo uma filhinha de 1 ano (a lindona da Sofia), colocamos nela objetos cor-de-rosa, tiaras e laços de fita (mesmo sendo ela careca, e, portanto, utilitariamente sendo-lhe desnecessários tais apetrechos, restando-nos pensar na dimensão simbólica disso tudo), reafirmando algo em tese inato a ela: “coisa de mulher”.

Isso ocorre porque, como me ensinou a antropologia social, é através do corpo que nós existimos socialmente, havendo uma constante colagem de significados no mesmo, então o suposto amálgama sexo / gênero pode ser questionado ou problematizado. Há toda uma pedagogia social que aponta para a diferenciação física dos corpos, onde utilizamos sinais que apontem para o gênero ao qual ele se identifica.

Cumpre ainda uma espécie de “ressalva” que é, ao mesmo tempo, em si mesmo relativizada: como já mencionou alguém (sinceramente, não estou lembrado do nome...rsrsrs....coisa de quem já corrigiu atividades de 100 alunos, e cujos neurônios já se encontram “lesados..), “quem está crucificado com (e em) Cristo não tem mãos para segurar nenhuma bandeira”.

No mesmo diapasão, no Caminho da Graça – não restrito ao movimento histórico que existe sob esta alcunha, mas digo no sentido amplo do termo, ou seja, no Caminho de Graça mesmo! -, não se faz nenhum movimento “pró-Gays”, “Pró-GLBT”, Pró-isso ou aquilo”.

Jamais faríamos seminários, colóquios, debates, e coisas do gênero para tratar do assunto! Nunca participaria de uma mesa-redonda para tratar de um assunto que é, ao mesmo tempo, tão complexo no âmbito do debate científico(seja em que paradigma estiver circunscrito o debate), e tão simples em seus desdobramentos cotidianos. Para mim, não se trata de algo a ser “resolvido”!

Não! Somos do Evangelho, e isso nos basta, bastou e bastará! É nessa simplicidade existencial que queremos caminhar. O próprio Evangelho, como mensagem que é (e não como uma espécie de “manual de instruções”, como nitidamente querem entender alguns), é espírito e vida, um Bem pro meu coração, nos mostra a postura a ser adotada.

Perceba, por favor, que não estou falando de Bíblia, mas da Palavra, como espírito (geist) mesmo!

Quiçá seja pertinente trazer a lume um exemplo recentemente vivenciado por mim: há um mês atrás, ao falar da Palavra para um pequeno grupo, vi que um casal estava com seriíssimas dificuldades na compreensão da mensagem de um determinado texto. E era versículo pra cá, auto-defesa pra lá, coisa “esquisita” mesmo. Foi quando lhes disse algo do tipo: “esse papo de obra de Deus, de bíblia, blá-blá-blá”, está lhes causando mal! Talvez seja melhor parar com tal “obra de Deus” e experimentar uma vida a dois que talvez vocês nunca tenham experimentado. Talvez seja hora de trocar a Bíblia por um saco de pipoca, e comê-lo assistindo a um filme com a sua mulher. Coisa que me “deu na cabeça”. Não sabia nada sobre eles.

Muitos dias depois, fiquei sabendo que o cara “cobria de cacete” a mulher. E, depois da Palavra...Tcham, tcham, tcham, tcham! Pode ficar tranqüilo, não trago aqui nenhum “grand finale” neopentecostal: o cara resolveu dar outra surra na mulher... e por aí vai...

Portanto, ao frisar a percepção da Palavra¸ em detrimento de uma busca frenética e por textos bíblicos do tipo: “não toques”, não proves”, “não isso”, “não aquilo”, é porque sei do caráter vivificante dela, e do caráter rijo e procustinizador (vale a pena conferir a belíssima metáfora weberiana acerca deste ser mitológico grego) da Lei! Creio nisso até as últimas conseqüências!

Assim como você foi sincero conosco, segundo minha singela percepção, sou sincero contigo, esperando não estar equivocado. Falo do jeito que espero que as pessoas hajam para comigo, ou seja, sem basear-se nos “jogos das expectativas sociais”. Narro, muito açodadamente, elementos da minha biografia pessoal, que estão relacionados ao que aqui nos propomos a esboçar:

Nasci num lar “evangélico”. Minha mãe ficou grávida de mim, aos 17 anos, sendo ainda solteira. Meu pai (biológico) sumiu (há aquele trocadilho chato e pueril: “não assumiu, mas sumiu”), fui “criado” com o auxílio, extremamente amoroso e bondoso (até hoje é assim!) dos meus avós.

Minha mãe conheceu um seminarista numa igreja batista. Eles ficaram interessados um no outro, ele me conheceu, ficou ciente da “situação” (eu tinha uns 6 anos, salvo engano), e resolveram casar-se. Quando eu tinha 10 anos aconteceu o casamento. Fui pajem do casamento da minha mãe!

Com o casamento, sem que houvesse nenhuma sugestão por parte da minha família, ele fez absoluta questão de registrar-me como seu filho.

Pois é, o casamento durou uns 2 anos, e eles se separaram. Motivo: ele era um homossexual, que tentava, em vão (no caso dele específico, não faço aqui uma declaração tola de âmbito universal), ir contra suas pulsões sexuais.

Resumindo a resumidíssima ópera – o tom pleonástico é intencional: ele é o meu pai, e eu o amo! Como se isso não bastasse, ele ainda me ama! Que bom! Ele mora no exterior, e quando nos encontramos, acontece um encontro de amor! Temos diferenças sim, mas nenhuma delas está relacionada a comportamentalidades ou preferências sexuais.

Vale lembrar o que mencionei anteriormente, sobre o caráter arbitrário de se pensar a opção sexual como “supremo” demarcador identitário. Pensamos diferente sobre o ethos norte-americano (ele se identifica, e eu já tenho “certa” dificuldade), sobre a sobrevalorização do “vil metal”, esse tipo de coisa.

Mas o que vale e permanece é o Amor que se revela nas pequenas coisas e gestos. Amor que não fica se indagando: por que? Mas que aceita e acolhe, e que mais recebe do que dá, que é o que, infelizmente acontece no meu caso em relação a ele.

Espero que, ao visitar-me em BH, ele sinta-se à vontade para estar na Estação BH, ou em qualquer estação do Caminho da Graça. Que ele se sinta bem. Que se sinta não simplesmente “não discriminado” – a tão falada “tolerância” -, mas realmente amado. É assim que o meu Pai (celestial) me vê, sendo eu não melhor do que o tal filho (dito) pródigo, que é acolhido e incluído na Graça, sem que sejam feitos quaisquer questionamentos.

Como nos ensinou o Brega, lá na Confraternização (estou certo de que o tal cara também deve ter lhe contado sobre isso!): de onde vinha a renda para a aquisição do perfume que aquela mulher, de comportamento social e moralmente “duvidoso”, derramou sobre os pés de Jesus, justamente na casa de um fariseu? Só sei de uma coisa: Ele aceitou. E, em aceitando o que ela lhe ofereceu, também pode aceitar-me como sou.

Isso, per se, me cala em profunda reverência.

De modo conclusivo, meu irmão, espero que você consiga fazer, dialeticamente, uma síntese do “espírito” do que foi dito aqui. Na verdade, confesso-lhe lamentar por ter que escrever sobre tais assuntos (veja bem o horário do recebimento do e-mail...eu poderia estar fazendo qualquer outra coisa, de preferência dormindo, mas o faço por amor e, portanto, com seriedade), que me parecem coisa “dinossáurica”, “arqueológica” até; mas, por muito tempo, também tive “grilos” como estes seus, e é somente pela revelação das escrituras é que conseguimos caminhar de maneira sadia e “espiritualmente sustentável”, parafraseando um conceito que sói muito em voga. Ajuda um bocadinho também o exercício (ou na tentativa dele, dadas as implicações existenciais de tal tarefa) da suprema postura antropológica de “colocar-se no lugar do outro”.

Tudo, cada sílaba do que lhe escrevo, meu querido, foi escrita (ou, melhor dizendo, teclada) com amor. Sem pieguice, mas é isso mesmo: com amor.

Amor que me mobiliza ao encontro com o outro.

Amor que me faz despir de uma postura judicativa em relação ao outro.

Amor que me livra de engasgar com os “mosquitos” da insignificância, me permitindo sempre a observação da minha “cameilidade”, daquilo que habita em mim, e que é mau. É grande, e eu ainda não enxergo, ou não quero enxergar. Dúvidas? Já ouviu falar num tal de “inconsciente”? Pois é... e “aqueles” sonhos “inconfessáveis” que temos – espero estar diante de um ser normal -, que fariam corar de vergonha algumas pessoas que nos vêem com um olhar “totemizado”, ou , no mínimo, como projeções existenciais destoantes daquilo que somos?

Como o próprio Jesus disse, as meretrizes – putas é melhor, meretrizes me parece coisa de pudor de tradução – e os publicanos – a atual conjuntura nacional lhe lembra alguma coisa?– precedem aos da Lei no Reino (Mt 21).

Ele também disse que, como os caras do status quo sócio-político-religioso (fariseus, herodianos e saduceus são colocados por Jesus no mesmo patamar: raça de víboras!) não quiseram banquetear com Ele, que é o Rei, então foram enviados servos aos caminhos buscar quem o quisesse, bons e maus. (Mt 22).

O mau não é o outro, sou eu mesmo.

Isso me basta, e me conduz novamente a um silêncio autenticamente reverente.

Ainda bem que a Graça, para ser Graça de verdade, “ de com força”, como se expressam alguns, é assim mesmo:

Escandalosa!

Incômoda!

Não restrita aos padrões simplistas estabelecidos por uma (suposta) moral vigente kantiana.

Des-estabilizadora!
Iconoclasticamente existente até, sem precisar fazer uso dos tradicionais métodos (ditos) revolucionários conhecidos por nós! É revolução acontecendo no terreno onde tem mesmo que acontecer, ou seja, no do coração!

Destarte, a mesa do banquete estará sempre posta para todos. ocorre que alguns simplesmente não quiseram vir. Espero que a frase seja auto-evidente e explicativa.

Espero que, em qualquer estação do Caminho da Graça, qualquer pessoa possa ser bem recebida, sem comportamentalismos “politicamente corretos”, mas somente por amor mesmo. Até porque no Caminho de Graça – não o histórico, mas o do coração mesmo, aquele que só Ele conhece, é assim que acontece.

Seja quem for, o que for, do jeito que for.

Tenha pênis (“falo” – objeto fálico soa melhor?) ou não.

Goste de pênis ou não.

Goste do seu pênis ou não.

Não esteja nem aí para essa “parafernália sexual”, ou seja neurótico quanto a isso.

Goste de “otras cositas mas”...

Tenha sonhos eroticamente loucos ou não.

Que seja sempre uma ambiência em que cada um não precise ser nada além daquilo que já é.

E que ninguém seja rotulado e rotulável por nada, mas somente coberto pelo sangue do Cordeiro.

Que não sejamos nós como aquele que foi “pego de calça curta” – a simbologia metafórica é intencional! – na parábola do banquete (Mt 22). Que estejamos nus com as vestes nupciais.

É interessante notarmos que o simbolismo destas vestes nupciais está justamente na nudez! Só pode vestir tais vestes quem já não quer mais vestir-se por si só (justiça-própria, até mesmo calcada na idéia de que, sexualmente, “fiz o dever de casa”), ou seja, quem está nu diante Daquele que nos conhece!

E pronto.

E basta.

E é só assim que alguém caminha com paz, com leveza e com alegria. É o que quero pra mim e pra você.

Como já disse o Caio, “no Caminho da Graça, amamos a estreiteza do Caminho”. É assim mesmo.

Como seu servo,

Um beijo (ops, abraço...),

Henrique Willer

quinta-feira, outubro 25, 2007

Um pedido

Queridos amigos,

Desde o dia que começamos nossas reuniões em Abril de 2006 na casa do nosso amigo PC e de sua esposa Bárbara muitas coisas aconteceram. Hoje nos reunimos em diversos bairros. Muitos foram os contatos, as ligações, os atendimentos. Os testemunhos existem alegrando o nosso coração.

Agora para dar atendimento as pessoas que nos procuram e aos grupos que se reúnem conosco nos diversos bairros precisamos de sua contribuição no serviço e nas ofertas. Sem elas será impossível continuarmos. Esse é o momento para quem deseja participar se manifestar.

Eu, particulamente se pudesse não pediria, mas os bairros são distantes e muitas são as viagens que faço para ajudar os grupos que se reúnem. Assim peço que quem puder, sentindo no coração, faça ofertas de ordem mensal para que possamos continuar batalhando pela causa.

Você pode fazer isso, em uma de nossas reuniões(procure a Janaína) ou realizando um depósito na conta

BANCO DO BRASIL

Ag.: 3253-0

Conta nº: 9466-8

Conta Poupança variação 01

Janaína Caldas da Silveira Fontenele -------------------

Sua contribuiição mensal nos ajudará e muito.

O Grupo do Henrique Jorge desde o dia que começou em Agosto de 2007 que apresenta uma dificuldade. Mesmo com a generosidade de alguns irmãos que abriram suas casas para nela realizarmos as reuniões não foi possível por vários mótivos. Assim estamos precisando de um lugar adequado nessa região. Talvez tenhamos que alugar um espaço. Para isso precisaremos de contribuintes mensais.

Orem por todos os irmãos que se reúnem nos bairros da Barra do Ceará, Mucuripe, Conjunto Ceará, Henrique Jorge, Montese entre outros.
Orem por todos os irmãos que entre nós servem com seus dons.
Orem pelo Caminho Brasil e por todos os mentores e irmãos.

A Todos desejo que em tudo estejam bem e sejam sempre abundantes em generosidade

Na mesma Graça e no mesmo Caminho

quarta-feira, outubro 24, 2007

A IGREJA SUBVERSIVA E CLANDESTINA CONTINUA CRESCENDO

Todos os dias, recebo noticias e testemunhos de cristãos que estão se reunindo, se encontrando fora dos chamados guetos evangélicos, católicos ou, fora do sistema religioso institucionalizado.

Há uma igreja clandestina crescendo.

Nas estatísticas oficiais, eles são designados de “os sem igreja” Cristãos se encontrando informalmente para estudar e reler o evangelho de Jesus. Cristãos se reunindo para orar. Cristãos se encontrando para desenvolverem projetos sociais. Cristãos que se cansaram de defender as cores de suas denominações ou grupos religiosos, muitos, às vezes, sectários, radicais, inflexíveis. Cristãos feridos pelo sistema religioso que estão encontrando cura no serviço cristão. Cristãos se voluntariando em hospitais, asilos, creches, cadeias, favelas e em ONGS sérias que visam o bem da humanidade em todos os seus aspectos e necessidades.. Cristãos encontrando comunhão saudável em lugares os mais diversos. Cristãos se envolvendo em causas justas, não importando quem as iniciou, isto é, de quem foi a idéia. Cristãos cobeligerando em nome da paz, da justiça, do bem comum. Cristãos sendo apenas cristãos e não religiosos. Sabe-se que em paises ainda repressivos, esta igreja clandestina, subversiva cresce. Cresce nos porões e misturada no meio do povo e em ações comunitárias absolutamente relevantes.

É impossível enumerar os cristãos que dizem estarem melhor fora dos seus guetos religiosos. Confesso que noutros tempos isso me angustiava, mas, hoje, hoje não. Por conta do que se tornou o chamado “mercado religioso”, hoje, confesso, prefiro ver o engajamento de muitos cristãos em movimentos comuns, de rua, de curtiços, das favelas, de sem terra e sem tetos. Movimentos em favor da ética. Movimentos em favor da ecologia pensando no aquecimento global e no bem estar do mundo. Gosto de saber que há meninos e meninas se encontrando em lugares públicos para ler o evangelho, orar e desenvolver amizades espirituais. Gosto desta clandestinidade. Gosto desta subversidade. Gosto do sal diluído no meio da multidão. Gosto da luz em lugares que antes eram só trevas.

Hoje, quando ouço os reclamos do interminável contingente de pessoas, queixando-se dos males que estão sofrendo em seus sistemas religiosos, em seus guetos evangélicos, em seus modelos de espiritualidades, confesso, não consigo mais encoraja-los a ficar ali. Erncorajo-os a encontrarem outros irmãos e se reunirem em algum lugar e ali celebrarem a fé, a amizade, o amor, a solidariedade, ler o evangelho e buscar interpreta-lo e traduzi-lo pra vida. Não consigo e nem quero mais participar de rodas em que o tema é os que estão explorando a boa fé de muitos. Cansei disto. Não tenho animo para insistir em denuncia-los, até porque a imprensa já o faz diariamennte tal o tamanho deste quadro que chega ser tragico. O ministério publico tem feito. Na verdade, a maioria das situações denunciadas são casos de policia e muitos estão sendo investigados, processados e presos. Acho que este é o caminho melhor, isto é, denuncia-los à justiça e deixar que esta os enquadre conforme as conclusões judiciais. Penso que aos cristãos cabe apenas serem cristãos.

Quem disse que era pra ser assim? Qual a instituição religiosa que Jesus organizou? Segundo o que entendo no evangelho, não há mais lugar santo, nem dia santo, nem púlpito santo, nem encontros santos. Não há mais o clero que intermediava entre o homem e Deus. O véu do templo se rasgou e não apenas nós podemos chegar lá mas a Glória do Eterno vazou para nós.

Creio nesta igreja clandestina, subversiva, invisível, diluída no meio das pessoas,. Creio nestes encontros simples. Creio nestas reuniões extra-oficiais. Hoje, não a porque ficar aprisionado a um sistema religioso que sobrecarrega seus adeptos com cargas insuportáveis de dogmas, maldições, chantagens, coação, pressões psicológicas, que espalham o medo, o terror. Minha palavra aos que reclamam disto é, porque você continua lá? O que te pende? Deus não é. E se Deus não é, quem é? Ou é o poder de persuasão de homens e mulheres que exercem tal domínio sobre muitos ou é de outra origem que nem quero aqui citar.

Quero fazer parte desta igreja que cresce na clandestinidade, na subversidade, no anonimato, no meio do povo. Quero fazer parte desta igreja que se espalha, se dilui, e, como água, penetra os lugares impenetráveis. Quero essa igreja, que não tem sede e nem utensílios caros e muito menos um clero ditando o que deve ou não ser feito.

A resposta aos exploradores de almas e de bolsos será dada quando os cristãos deixarem de alimenta-los, sustenta-los, enriquece-los, paparica-los, louva-los, exalta-los, ovaciona-los. Parem de contribuir para seus projetos megalomaníacos de construir suas torres. Contribua com aqueles que, se você, seus filhos, seus pais e amigos estiverem num hospital, eles irão visita-los. Contribua com os que visitam os presos em cadeias. Contribua com os que estão militando entre os necessitados e você sabe seus nomes, conhece suas famílias. Sabe onde moram. Pare de contribuir com os que estão construindo mansões. Pare de contribuir com os que vivem voando pelos ares em seus jatos particulares. Parem de contribuir com aqueles que tem motoristas particulares e carros impostados pagos a preço de ouro e com as ofertas de gente simples. Pare de contribuir com aqueles que só usam roupas de marca. Contribua com os que estão aconselhando seus filhos pessoalmente. Conhece-os pelos nomes. Contribua com aqueles que você pode ligar de madrugada e eles os atendem. Contribua com aqueles que você sabe o numero do celular e quando você liga, eles atendem. Contribua com aqueles que lhes respondem os e-mails. Contribua com aqueles que te atendem em horas de desespero. Contribua com aqueles que foram nos funerais de seus familiares e choraram com você e sua família. Contribua com homens e mulheres que você já chegou perto e viu, testemunhou que são seres humanos normais. Não contribua com semi-deuses. Contribua com aqueles que você pode tratar pelo primeiro nome. Tenho pra mim que esta é a melhor forma de denunciar e destronar estes que vivem da miséria de tantos. Se você faz parte de um pequeno grupo, uma pequena comunidade onde você é tratado com dignidade, pelo nome e o que ali é ensinado e feito, todos sabem e nada esta debaixo dos tapetes, fique ai e contribua com seus recursos. Não contribua pra manter programas de radio e televisão de ninguém a não ser que você tenha absoluta certeza que seus recursos de fato estão sendo investidos de maneira correta. Contribua com aqueles a quem você tem acesso. Contribua com os que te ouvem. Contribua com os que te atendem. Contribua com gente que tem ouvidos e sensibilidade para com você e os seus próximos. É por isto que creio nesta igreja clandestina, subversiva, pois, ela pode não ser conhecida da mídia, mas, é conhecida nas ruas, nas favelas, nos guetos, nos hospitais, nos asilos, nas creches, nas escolas, nas cadeias, nas unidades da Febem, e em tantos outros lugares.

Oro pra que esta igreja cresça. Oro pra que milhares de pequenos grupos sejam constituídos. Oro para que os movimentos como Caminho da Graça e outros nunca se institucionalizem a ponto de se tornarem tão pesados que não consigam mais atender as pessoas. Oro, oro mesmo, pra que Jesus seja visto e conhecido em lugares simples, em encontros simples, no meio de gente simples e ali, Ele cure, restaure, reconcilie, reconstrua, salve, ressuscite, enfim, que Ele faça aquilo que só Ele pode fazer. Creio nesta igreja.

Com carinho.

Carlos Bregantim

quarta-feira, outubro 17, 2007

Liberdade nas Escrituras





A Liberdade é uma realidade que só existe em Deus e para aqueles que Nele estão.

Ora, o Senhor é Espírito; e onde está o Espírito do Senhor, aí há liberdade. 2 Coríntios 3:17
ESTAI, pois, firmes na liberdade com que Cristo nos libertou, e não torneis a colocar-vos debaixo do jugo da servidão. Gálatas 5:1


E estando em Cristo


Não há condenação


PORTANTO, agora nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus. Romanos 8:1


Somos livres da lei e do pecado


Mas agora temos sido libertados da lei, tendo morrido para aquilo em que estávamos retidos; para que sirvamos em novidade de espírito, e não na velhice da letra. Rm 7.6
Porque a lei do Espírito de vida, em Cristo Jesus, me livrou da lei do pecado e da morte. Rm 8.2
Mas agora, libertados do pecado, e feitos servos de Deus, tendes o vosso fruto para santificação, e por fim a vida eterna. Romanos 6:22


Estamos sim, livres da Lei e de todos os seus subprodutos. Todavia, isto não nos põe no caminho da libertinagem, mas no tipo de liberdade que Deus chama como tal. A liberdade do homem tem na liberdade de Deus sua referência. Deus é livre para ser continuamente bom, fiel, misericordioso e justo; e, sobretudo, um Deus de graça para outros! Caio Fábio


Porque vós, irmãos, fostes chamados à liberdade. Não useis então da liberdade para dar ocasião à carne, mas servi-vos uns aos outros pelo amor. Gálatas 5:13
Todas as coisas me são lícitas, mas nem todas as coisas convêm. Todas as coisas me são lícitas, mas eu não me deixarei dominar por nenhuma. 1 Coríntios 6:12
Todas as coisas me são lícitas, mas nem todas as coisas convêm; todas as coisas me são lícitas, mas nem todas as coisas edificam. 1 Coríntios 10:23

A sabedoria de decidir pelo que edifica vêm do próprio Espírito


Mas a sabedoria que do alto vem é, primeiramente pura, depois pacífica, moderada, tratável, cheia de misericórdia e de bons frutos, sem parcialidade, e sem hipocrisia. Tiago 3:17
Mas o fruto do Espírito é: amor, gozo, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão, temperança. Gálatas 5:22
Porque o fruto do Espírito está em toda a bondade, e justiça e verdade); Efésios 5:9
Todas as coisas são puras para os puros, mas nada é puro para os contaminados e infiéis; antes o seu entendimento e consciência estão contaminados. Tito 1:15


Assim


Somos constrangidos a viver uma vida para Ele


Porque o amor de Cristo nos constrange, julgando nós assim: que, se um morreu por todos, logo todos morreram. E ele morreu por todos, para que os que vivem não vivam mais para si, mas para aquele que por eles morreu e ressuscitou. 2 Co 5.14,15


Vivendo uma vida para Ele viveremos em favor do próximo


Mas vede que essa liberdade não seja de alguma maneira escândalo para os fracos. 1 Coríntios 8:9

Mas nem em todos há conhecimento; porque alguns até agora comem, no seu costume para com o ídolo, coisas sacrificadas ao ídolo; e a sua consciência, sendo fraca, fica contaminada. Ora a comida não nos faz agradáveis a Deus, porque, se comemos, nada temos de mais e, se não comemos, nada nos falta. Mas vede que essa liberdade não seja de alguma maneira escândalo para os fracos. 1 Co 8.7-9

Dessa forma

Um faz diferença entre dia e dia, mas outro julga iguais todos os dias. Cada um esteja inteiramente seguro em sua própria mente. Romanos 14:5
Tens tu fé? Tem-na em ti mesmo diante de Deus. Bem-aventurado aquele que não se condena a si mesmo naquilo que aprova. Romanos 14:22
PORTANTO, se já ressuscitastes com Cristo, buscai as coisas que são de cima, onde Cristo está assentado à destra de Deus. Colossenses 3:1
Mas aquele que tem dúvidas, se come está condenado, porque não come por fé; e tudo o que não é de fé é pecado. Romanos 14:23


Tendo sempre cuidado


E isto por causa dos falsos irmãos que se intrometeram, e secretamente entraram a espiar a nossa liberdade, que temos em Cristo Jesus, para nos porem em servidão; Gálatas 2:4
Mas temo que, assim como a serpente enganou Eva com a sua astúcia, assim também sejam de alguma sorte corrompidos os vossos sentidos, e se apartem da simplicidade que há em Cristo. Porque, se alguém for pregar-vos outro Jesus que nós não temos pregado, ou se recebeis outro espírito que não recebestes, ou outro evangelho que não abraçastes, com razão o sofrereis... Porque tais falsos apóstolos são obreiros fraudulentos, transfigurando-se em apóstolos de Cristo. E não é maravilha, porque o próprio Satanás se transfigura em anjo de luz. Não é muito, pois, que os seus ministros se transfigurem em ministros da justiça; o fim dos quais será conforme as suas obras. 2 Co 11


Desta forma, citando outro autor, assim expresso minha liberdade em Cristo:
Se eu pudesse deixar Jesus, eu não queria de jeito nenhum. Tem nada melhor. E se quisesse deixar, não podia não. Meu nome está no Livro.


Ivo Fernandes


quarta-feira, outubro 10, 2007

QUEM NÃO SABE QUE O DINHEIRO DA RECORD VEM DA “ARCA DA ALIANÇA?”

Domingo de manhã.

Fui comprar pão.

Em frente à padaria tem uma porta cristã aberta logo cedo.

A voz rouca ao microfone me chamou atenção.

Entrei e me acomodei.

Dentro daquele ambiente, vieram-me lembranças da semana que passou...


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Quinta-feira, dia 27 de setembro.Inauguração da Record News – novo canal de TV do empresário-bispo Edir Macedo.Apesar dessa inauguração representar mais notícias dentro de nossas casas, mentalidades cristãs mais escrupulosas diriam que isso tudo assusta e ultrapassa a margem da legalidade.


“Uma TV da Igreja? (Na verdade, são duas TVs!). Ou a Igreja que é da TV?A TV existe com o dinheiro da Igreja? Ou o dinheiro da TV é para a Igreja?Mas como uma igreja tem duas TV para fins lucrativos, se a igreja é uma entidade beneficente e sem tributação de impostos???”


Calma, cristãos éticos e cidadãos de bem, eu explico:Não há nada ilegal. A Igreja não tem nada. A igreja não tem fins lucrativos. A igreja tem seu patrimônio e seus mais de 1.500 templos e só. A TV, todavia, não é da igreja. A TV é do Senhor Edir Macedo, mega-empresário do setor de comunicações.Ele é empresário, e também é bispo da Igreja. Ilegal?Nada ilegal. Eu também sou profissional liberal e ministro do Evangelho. A clínica é minha. A igreja, não.


Como ele comprou as estações de TV, então?Ora, comprou com o dinheiro dele! Com o “salário” dele de bispo! - suponho.A maioria dos religiosos não vivem do sacerdócio? Sim! Então qual é o problema?Nada ilegal. É o chamado pró-labore! Ganha quanto a “instituição” decide que se vai ganhar!E a relação TV – Igreja? Parece tudo a mesma coisa!!!Parece, mas não é! Nada ilegal tampouco.Veja o que a Central Record de Comunicação respondeu, por e-mail, ao site Terra:- A Record lucra com a comercialização de espaços publicitários em sua programação. O horário da madrugada está negociado com o cliente Igreja Universal, que possui diretrizes independentes e distintas em relação à Record.Viu? Tudo legal. Tudo explicado.A Universal compra os horários da Record. A Record vende os horários para a Universal.Vende caro. Muito caro. Super-faturado! Vende por quatro vezes mais do que a Globo vende seus horários da madrugada,mesmo tendo quatro vezes mais ibope nessa mesma faixa que a Record!Mas e daí? A cliente paga, oras. Ela aceita o preço!


Nada ilegal.Mas toda a direção da Record não é constituída de bispos e obreiros da Igreja?Sim. Mas procura aí onde isso é ilegal?A Record contrata seus funcionários como quiser e de onde desejar. A Record não é um orgão público que contrata via concurso.Se eu quiser colocar meu pai, minha mãe, meu amigo, meu irmão para trabalhar na minha Clínica Privada o que você tem a ver com isso? A empresa é minha, eu contrato quem eu quiser, mesmo que tal pessoa nem tenha ainda a devida formação para o cargo. Isso é problema meu! A clínica não é estatal, é particular!

Meu Deus, mas de onde vem, então, tanto dinheiro para comprar tanto horário por tão alto valor, visando a nobre causa de evangelizar o país???Ora, vem das contribuições espontâneas que se fazem de domingo a domingo, três a quatro vezes por dia, em mais de 1500 templos simultaneamente.Nada ilegal.


Como não? É dinheiro do povo!!! Dinheiro que se recebe e sobre o qual não incide impostos?Ora, é não é assim com toda associação filantrópica? Ou alguém dá dinheiro forçado? Levanta a mão quem paga na marra? Alguém é obrigado a ofertar? Algum obreiro vai lá e mete a mão no bolso do devoto?Lógico que não! Daí não haver extorsão e nem subtração. Dá quem quiser!Portanto, até onde se enxerga, fica assim entendido: Tudo dentro da Lei. Tudo legal!


Ah!Domingo de manhã.Estou naquele culto evangélico do começo do texto.Voltei de meus pensamentos. Olho para frente. Tem uma arca da aliança girando iluminada sob um altar atrás do púlpito.O moço na tribuna falava sobre Dagom, o deus filisteu que se ferrou depois que recebeu em seu templo a Arca da Aliança Mosaica roubada da nação vizinha. Na história bíblica, os judeus nem precisaram se mexer em busca da Arca Perdida. O povo inimigo se consumiu em pestes e tumores, até devolverem o objeto sacro!


Conheço a história desde menino!Só não conhecia o aplicativo feito então:


“Você quer vencer Dagom? Quer?Então... Não se mexa para nada!Sabe aquele dinheiro que você ia pagar para o advogado tentar tirar seu filho da cadeia?Sabe aquele dinheiro que você ia usar para comprar o remédio que o médico receitou para a doença crônica?Você vai trazer aqui na frente, diante da Arca Giratória!!" ("giratória" é expressão minha. Impressionou-me a alegoria. Mas o resto ouvi como agora se lê)Não pague o advogado, não compre a medicação! Pratique a fé!Quanto você não daria para tirar seu filho da prisão? R$ 3.000,00? R$ 2.000,00? Ou não daria até muito mais?Você não faria todo sacrifício que fosse necessário? Sim ou não?Então vem trazer esse dinheiro aqui no Balcão de Negócios Divinos (bom, confesso: “balcão de negócios divinos" ele não falou não... Eu que inventei... Mas juro que só inventei mais esse!)Quando você pagaria para ficar curado? Para ter saúde? Não daria até tudo que tem?Então para que você vai dar esse dinheiro para o remédio se você pode dar para Deus?Quem já tem a arca em casa (uma arca pequenina “dada” aos que exercitam a fé!) vem aqui na frente para nós oramos por você!Fiquei com mais alguns poucos.Agora vem quem não tem a arca ainda.Todo mundo se levanta e caminha para o altar matadouro. Já sabem que Deus só vai abençoá-las se permitirem que lhes arranque o couro, a lã... Mas, tudo na vida tem seu preço, não é?Daí vejo a fila.A fila.Mães desesperadas. Doentes aflitos.Você pode ter a Arca da Aliança por R$ 90,00 – não menos que isso!(Dessa vez não inventei nada, o limite para levar o objetinho ordinário era esse mesmo)Só eu fiquei.Fiquei só.Eu, dois obreiros e meu dinheirinho do pão.


Saí.Saí sem arca. Saí inteiro...Mas arrancaram minha alma logo cedo.Sob minhas costas o peso triste de ter visitado o templo de Dagom. O templo da Arca sequestrada que gira em exposição!Fui ao templo de Dagon, onde a dádiva é comprada sob signos judaico-cristãos.Sim, só tem um deus que vende resposta de oração: Lá o chamam de Jesus, mas seu nome é Diabo!*


*O estelionato é espiritual, mas essa categoria de crime não consta na nossa legislação!


Isso não passa na Record.Na Record é tudo legal.Tem até novela com qualidade global.


DESABAFO: Então a gente nunca vai pegar esses caras, entendeu???!!! O dinheiro da Record está dentro da Arca!Entretanto, há algo com que eles simplesmente não contam: Deus existe!- Sim, o dono da Arca existe!E Ele não obedece a Constituição. Ele ultrapassa a margem da legalidade. Ele é marginal.E daqui a pouquinho essa Novela termina!Os últimos capítulos já foram escritos e revelados: Como no registro bíblico, Dagom vai perder a cabeça de novo e a brincadeira de apetrechos bíblicos comercializáveis tem prazo de validade e logo logo vai acabar!Ah! Vai!


Marcelo Quintela



"Nos últimos dias sobrevirão tempos difíceis...

terça-feira, outubro 02, 2007

Sem simplicidade não há cura e graça

O desespero do homem religioso, especialmente do cristão ou do judeu praticantes, é o mais intenso e forte desespero que o coração humano já experimentou. Isto porque esses dois credos religiosos são aqueles que propõe a salvação humana como obra de justiça própria, especialmente de natureza moral.

É verdade que qualquer cristão doutrinado que leia o que acabei de falar, imediatamente dirá que isto não é verdade quanto ao Cristianismo, e, especialmente, não é verdadeiro em relação ao Protestantismo, em razão de que o arcabouço doutrinário da Reforma postula a salvação pela fé na Graça de Jesus. Todavia, todos sabemos que a doutrina é esta, mas que na pratica isto nunca foi verdade para a "igreja".

Sim, porque prega-se essa salvação pela fé apenas como argumento alentador na chegada do "novo-crente". Porém, no dia seguinte ao da "Decisão de ser Crente", o individuo já começa a ser doutrinado na salvação e na santificação moral e autônoma, realidades essas que cada indivíduo tem que conquistar, a fim de se manter no posto da salvação pela via de sua irrepreensibilidade moral. Assim, inicia-se falando o Evangelho como sedução, e, uma vez feito o prosélito, imediatamente ele é transformado num cristão fariseu.

O que segue são barganhas e mais barganhas com Deus, acrescidas de um estado perene de inquietação, nervosismo e culpa—medo de cair... Ou, então, no caso do indivíduo estar se sentindo "bom" o suficiente para a agradar a Deus pelas suas próprias obras e pela sua própria moral, surge um ser arrogante, nojento e insuportável para a normalidade do convívio humano.

Assim nascem os crentes, tanto os neuróticos pela culpa e pela barganha, quanto também o crente santarado, que é esse ser da "dita-dura"; e que trata com raiva e com inveja aqueles aos quais acusa de serem "pecadores". Sim, porque nesse caso o espírito de juízo e acusação é proporcional à inveja que se tem da liberdade ou do "pecado" do outro.Tenho muita pena de ambos os grupos, mas especialmente dos que ficam neuróticos pelo peso das acusações que vêm dos crentes fariseus.

A leitura de Mateus 23 nos mostra que, para Jesus, esses tais eram seres profundamente danosos quando estabeleciam contato com outros seres humanos, sempre com a vontade obstinada de desconstruir a individualidade do outro, fazendo deste um clone do crente-boneco-fariseu. "Ai de vós..."—foi o que Jesus repetidamente disse a eles, aos fabricantes de "crentes em série".

Minha angustia tem a ver com o estado mental adoecido que esses cristãos-fariseus multiplicam e aprofundam a cada novo "discípulo" que fazem. Toda hora atendo "discípulos" desses "cristãos-fariseus" e, quase sempre, ou os encontro surtados de culpa, medo, débito e pânico de maldição, semi-esquizofrenizados, visto que para se amoldarem à fôrma dentro da qual são postos, a fim de se plastificarem nos moldes "legitimados" pela "religião dos bonequinhos movidos à corda", tais pessoas precisam matar a si mesmas, aceitando como novo "eu" a caricatura humana proposta pela "igreja".

Não há alma humana sensível e sincera que aceite tais coisas e não adoeça seriamente. Ora, faz anos que digo isto, bem como faz muito tempo que atendo pessoas sofrendo dos males de alma produzidos pela religião. No entanto, nos últimos anos, a "porteira da alma" se abriu, e boiada dos angustiados saiu numa corrida atropelada, buscando aos pinotes de angustia um pasto de liberdade.Os vícios mentais incutidos pela religião, todavia, são os mais difíceis de serem removidos e tratados. Isto porque quando você ensina às pessoas acerca da Graça de Deus, a questão que invariavelmente chega, é a mesma: "Mas como pode ser tão simples? Não há mais nada a fazer a não ser confiar que já está pago e viver apenas nesta fé?"—é o que me perguntam.

A pedra de tropeço dos crentes é o Evangelho de Jesus. Sim, são os crentes os que mais dificuldade têm de crer que é apenas crer.

De fato, a maioria sofre da Síndrome de Naamã, o Sírio. Sendo general importante e sofrendo de lepra, foi-lhe recomendado a ir até a presença de Eliseu, o profeta de Samaria. Ao chegar lá, o profeta nem mesmo saiu de casa a fim de atender o general, mas apenas mandou que ele fosse até as águas do Jordão e se lavasse 7 vezes. Naamã não quis ir. Achou simples de-mais. Esperava que Eliseu viesse, lhe prestasse honras, dedicasse a ele um rito, movesse as mãos sobre as feridas dele, e, assim, feitos "os trabalhos", Naamão fosse declarado curado. De fato, tão contrariado ficou o general, que já estava indo embora, quando um de seus servos lhe disse: "Se o profeta tivesse recomendado algo difícil e complicado tu não o farias? Ora, por que não fazes o que ele manda apenas por que é simples?"

O que vejo prevalecer entre os cristãos é que mentalidade do "difícil", a consciência pagã de Naamã, e os mecanismos de cura pagã, sempre carregados de "correntes e campanhas", todas baseadas em barganhas com a divindade, sendo que tal pratica é desavergonhadamente chamada de "sacrifício". Para esses nunca haverá descanso, nem paz e nem a alegria que vem da segurança que se arrima na fé simples. Enquanto os crentes obedecerem a espiritualidade de Naamã, o Evangelho não produzirá nenhum bem em suas almas!

Toda hora me vêm pessoas que me dizem que não entendem como quando passaram a apenas aceitar a simplicidade do Evangelho de Jesus, e crer que está tudo feito e pago, e que a vida com Deus é simples, e que o andar com Jesus é sereno, pois, é fruto da confiança no que Ele já fez por todos nós — tudo começou inexplicavelmente a mudar para o bem em seus corações. Mas alguns estão tão viciados na barganha com Deus e nos muitos e intermináveis sacrifícios de presença a todos os cultos, células, campanhas, atividades, e muita mão de obra dedicada aos líderes da "igreja", que não conseguem nem mesmo crer que o bem que lhes está atingindo é verdadeiro; pois, para tais pessoas, "não é possível que seja só isto".

Todavia, é simples mesmo; e bem-aventurados são aqueles que não tropeçam na Pedra de Tropeço e nem na Rocha de Escândalo, que é Jesus, e nem na total simplicidade de Seu Caminho, que é o único Caminho de Paz para a vida.

Quem não crê, que faça seu próprio caminho pelos infindáveis labirintos da religião...

Eu, todavia, me agrado de todo o coração no que Jesus já fez por mim, perdoando todos os meus pecados, me justificando perante anjos, demônios e homens, dando-me a chance de andar com tranqüilidade e paz entre os homens, com o coração pacificado na confiança no amor de Deus, de cujas mãos ninguém e nem coisa alguma pode me arrebatar.

"Quem crê tem..."— disse Jesus. Sim, quem crê tem tudo. Quem não crê, todavia, pode ter tudo — igreja, moral, credo, dogma, sacrifícios, barganhas, etc...—, porém, não terá nem paz e nem descanso, visto que paz e descanso apenas habitam a fé simples, que não pergunta: "Quem subirá aos céus? (isto é: para trazer Jesus à Terra pela encarnação); e nem tampouco diz: Quem descerá ao inferno? (isto é: para dar uma ajudinha a Jesus na ressurreição dos mortos)."

Sim, a fé conforme o Evangelho sabe que a Graça não está longe; ao contrário: sabe que ela está bem perto, na boca e no coração; pois "se com a boca se confessa a Jesus como Senhor..., e, no coração se crê que Deus o ressuscitou dentre os mortos, se é salvo; pois com o coração se crê para obtenção da justiça justificadora de Deus (pela fé); e, com a boca se faz a confissão em fé acerca da salvação que já é nossa; e já foi consumada e acabada por Jesus em favor de todo aquele que crê com simplicidade e confiança.

Mas como disse, é essa simplicidade do Evangelho que acaba sendo a Pedra de Tropeço dos crentes. E, assim, deixando a Rocha da Salvação, se entregam às infindáveis barganhas patrocinadas pelos Líderes Fariseus, os quais não contentes em se fazerem filhos do inferno (conforme Jesus disse), ainda desejam corromper a alma de muitos, criando seres atormentados pelas chamas das culpas e acusações do inferno, negando a eles a chance de viverem em liberdade no amor de Deus.

Portanto, saibam todos: sem fé simples e pura, posta em Jesus, confiante no Evangelho da Graça, não há nem paz, nem alegria, nem espontaneidade diante de Deus, e, sobretudo, não há saúde de alma para viver a vida como Vida, e não como tormento sem fim.

Ora, quando é assim a religião se torna a ante-sala do inferno!

Nele, em Quem tudo é simples,

Caio